Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 26/10/2021

O sutil abismo entre prevenção e invasão à privacidade

A Constituição Federal, promulgada em 1988, prevê que todos os cidadãos têm o direito à privacidade.  No entanto, o não cumprimento desse preceito é evidente, visto que muitos filhos contam com um monitoramento abusivo realizado por parte de seus pais. Isso se deve tanto à falta de educação de muitos menores ao usar a tecnologia para o mal, quanto ao número de atividades desviantes presentes na Internet.

Primeiramente, cabe mencionar a baixa educação dos filhos como um dos motivadores do problema. Como essa formação é pouco desenvolvida no Brasil, causa uma elevação em vários problemas, incluindo as más influências que existem na Internet, o que deixa a pessoa vulnerável a conteúdos perigosos, já que, segundo Paulo Freire, a educação muda as pessoas e as pessoas mudam o mundo. Infelizmente, enquanto não houver uma grande mudança no sistema de ensino brasileiro, problemas como esse tendem a continuar.

Diante disso, é notável a quantidade de atividades desviantes presentes na Internet. Tal quantidade foi expressa por dados divulgados pela SaferNet, o que mostrou que entre 2006 e 2012 foram feitas mais de 3 milhões de denúncias sobre vários crimes, como racismo, transferências eletrônicas ilícitas, incitação a crimes violentos e entre outros. Por isso, é incabível ter algum tipo de monitoramento por parte dos responsáveis para que os menores continuem com sua integridade física protegida.

Portanto, percebe-se que é necessário ter algum controle sobre o que é visto pelas crianças na Internet, contudo, sem uma vigilância abusiva sobre elas. Dessa forma, o Congresso Nacional, que é um dos orgãos responsáveis pela organização e crescimento do país, deve proibir o monitoramento excessivo dos responsáveis, ao mesmo tempo que necessita aumentar a vigilância na Internet, por meio da aprovação de um projeto de lei, para que os menores tenham menos acesso a conteúdos nocivos.