Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 28/10/2021

Em um dos episódios de Black Mirror, é apresentado uma nova tecnologia da qual os pais tem controle total da visão e audição de seus filhos, podendo censurar acontecimentos em suas vidas, todavia, tal controle tornou-se muito evasivo, afetando gravemente o psicológico dessas crianças. De forma análoga ao seriado, o controle parental sobre as crianças nesse meio é cada vez mais ampliada, tornando comum a prevensão numa invasão de privacidade. Dessa maneira, o monitoramento excessivo e a leiguice dos pais quanto a internet evidenciam o controle parental quanto ao uso da tecnologia muito invasiva para as crianças.

Primeiramente, é imprescindível verificar o monitoramento excessivo dos pais como um fator bastante problemático. Embora o intuito dessa ação propiciada por grande parte dos aplicativos seja correta, cabe aos pais decidirem até onde irão com essa ferramenta, o que então desenvolve a problemática em questão. De maneira evidente, segundo a Pamela Wisniewski, professora assistente de engenharia e ciências da computação, “A conclusão disso é que os pais não deveriam tratar estes aplicativos de controle parental como uma varinha de condão que irá manter seus adolescentes a salvo online”. Diante o exposto, é incabível que tais responsáveis usem seu controle de maneira ingênua e imprudente.

Ademais, é importante ressaltar a leiguice dos pais quanto a amplitude da internet, em que a falta de conhecimento pode levar a comportamentos desnecessários, uma vez que prejudicam o espaço de privacidade de seus filhos e impactam na relação familiar. Desse modo, com uma base de estudo construída, os pesquisadores da Universidade Federal da Flórida avaliaram 736 resenhas online escritas por pais e crianças, em que dois terços das resenhas feitas por tais menores costumavam confessar que os aplicativos de monitoramento impactaram a relação com seus pais de maneira negativa. Sendo assim, a falta desse conhecimento por parte dos responsáveis das crianças implicam numa vigilância inconveniente, que por sua vez, impactam negativamente nas relações familiares.

Diante os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação atual. Portanto, é dever do governo federal promover campanhas que mostre a importância de mediar o controle parental quanto ao uso da tecnologia, por meio de mídias sociais, como propagandas e redes sociais, com a finalidade de conscientizar os pais sobre quais são perigos de invadir a privacidade de seus filhos, e recomendar aos pais que procurem entender melhor como esse meio digital funciona, para que assim os pais promovam uma relação mais saudável e ao mesmo tempo segura para seus filhos, transformando a invasão de privacidade em prevenção novamente.