Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 06/07/2022

A série “Black Mirror” apresenta no episódio “Rachel, Jack e Ashley Too”, uma boneca robô que pode ser controlada pelos pais, com um simples comando pode transformar a robô Ashley O no que eles quiserem, bloquear palavras e adicioná-las. De maneira análoga, há o controle parental no uso da tecnologia. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: negligência governamental e pais com déficit de conhecimento sobre as consequências do controle digital.

Primeiramente, evidencia-se o descaso e falta de investimento para resolver o problema. Sob essa ótica, segundo o livro “Cidadão de Papel” de Gilberto Dimenstein diz que a carta magna somente ocorre no papel, percebe-se isso no artigo 5º da Constituição Federal, na qual assegura a inviolabilidade da vida privada e da intimidade do cidadão, mas isso não ocorre se os parentes controlarem os filhos. Dessa forma, é inaceitável que os obstáculos continuem a existir na sociedade, tendo em vista que o controle parental é um dos motivos para o prosseguimento do desequilíbrio social.

Além disso, é notório a escassez de informações sobre os danos causados pela alta quantidade de restrições eletrônicas. Desse modo, segundo o portal de notícias G1, mais da metade das crianças e adolescentes dos oito aos dezesseis anos são controlados tecnologicamente pelos pais. Por outro lado, muitos pais não sabem as consequências disso, muito dos filhos começam a ter ansiedade, depressão e terem problemas com autonomia. Logo, indiscutivelmente, faltam medidas efetivas pelas autoridades competentes para resolver o problema.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham diminuir os danos causados por esse controle. Para isso, o Ministério da Família deve criar uma campanha para mostrar aos pais todos os danos que eles podem causar com essa tecnologia e também criar grupos de ajuda para os adolescentes e crianças fragilizadas e com alguma doença psiquiátrica, a fim de que diminua os filhos enfraquecidos. Somente assim o Brasil poderá, de fato, mudar seu destino positivamente.