Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 06/07/2022
Na obra “Sintonia Perfeita”, a autora Amanda Maia critica o controle efetuado pelos pais nos aparelhos telefônicos dos filhos, o qual possui uma boa intenção mas carece de responsabilidade afetiva em vários casos. Sob esse viés, a crítica da obra se faz presente na realidade de diversas famílias, sendo assim uma questão a ser debatida. Para isso, é necessário medidas para solucionar o impasse, motivado pela invasão à privacidade infatil e a falta de informações sobre como balancear cuidado e autonomia no dia a dia das crianças.
Em primeiro lugar, contata-se o desserviço estatal como uma das causas do debate acerca da autoridade excessiva exercida pelos responsáveis. Nesse contexto, o filósofo Zygmund Bauman criou a expressão “Instituições zumbis”, a qual diz respeito ao fato de que certas instiuições, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, estão atrasadas nas suas funções sociais. Por essa ótica, tal teoria é constatada, uma vez que o Estado não trabalha em uma resolução para a questão por achar que ela se classifica “assunto de família”. Contudo, essa problemática pode se agravar imensamente, resultando até em casos fatais como o do adolescente Itaberli Lozano, reportado pelo G1 Notícias, que foi morto pela família após sua homossexualidade ter vindo à tona pela ingerência de seu aparelho telefônico .
Ademais, a carência de discussão no que se refere a invasão de privacidade tecnológica infantil é um dos motivadores do impasse. Nesse sentido, segundo o sociólogo Karl Marx, em sua tese “Silenciamento dos Discursos”, alguns temas são omitidos na sociedade a fim de se ocultar as mazelas sociais. Sob essa perspectiva, na sociedade contemporânea, a visão do autor pode ser aplicada quanto a exclussão dos menores de idade como indivíduos , sendo então pouco debatido seus direitos e desejos.
Portanto, faz-se necessário que o Governo Federal, por meio do ECA, crie projetos para levar palestras com o tema “Eu amo, eu confio”, onde seria ensinado a eles a importância de fornecer uma educação repleta de amor, confiança e independência para o menor, a fim de quebrar o vicioso ciclo da violação de privacidade infantil. Feito isso, a realidade destorá da obra de Amanda Maia.