Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 11/07/2022
Com o advento da Terceira Revolução Industrial é notório que as inovações na área tecnológica contribuíram para a progressão social. De maneira análoga a isso, a persistência da ausência do controle parental quanto ao uso da internet mostra-se um fator crítico no que tange a questão de segurança e desenvolvimento infantil. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a ausência de educação sobre o assunto e a falta da influência midiática.
Em primeira análise, nota-se que a desinformação acerca do controle de uso da internet corrobora para com a possibilidade da exposição de crianças a conteúdos impróprios e a pedofilia. Sob essa ótica, de acordo com a psicóloga Anna Mello, “Para o controle, é importante que os pais tenham conhecimento da tecnologia e participem com os filhos. Abuso é o uso excessivo do controle sem diálogo e sem construção em conjunto das regras”. Dessa forma, é notório que o conhecimento e interação dos responsáveis, bem como a confiança e a liberdade dentro dos limites etários, são essenciais para garantir a segurança infantil. Logo, urge que haja o protagonismo estatal diante da escassa instrução parental tecnológica
Além disso, é notório que a falta de influência da mídia no que tange mitigar a problemática contribui para a persistência de pais desinformados e de crianças e jovens propensos aos perigos virtuais e de parte destes sentindo-se vigiados. Desse modo, a teoria das “Instituições Zumbis”, é a definição que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman deu para simbolizar as entidades que não cumprem suas funções sociais. Consoante a isso, nota-se que sem a ação do poder responsável pela inclusão e comunicação digital, a tendência desse problema é perdurar na sociedade.
Depreende-se, portanto, e adoção de medidas que ampliem o controle tecnológico como forma de prevenção. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Tecnologia, influenciar e instruir os responsáveis sobre as formas já existentes de realizar o controle e estimular a interação da família nesse processo, por meio de documentários e propagandas, visando incentivar o controle digital infanto-juvenil. Somente assim, o monitoramento parental não será visto como uma invasão de privacidade e a tecnologia será benéfica tal como na Revolução Industrial.