Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 29/07/2022

Machado de Assís, em sua fase realista, teceu críticas aos comportamentos viciosos e superficiais que caracterizavam essa nação. Séculos depois, as crianças se encontram em um comportamento vicioso quanto ao uso da tecnologia, uma vez que os pais permanecem com o dilema entre prevenção ou invasão da privacidade dos filhos. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam criadas para alterar essa situação, que possui como causas a falta de debate e a mentalidade familiar.

Convém ressaltar, a princípio, que a falta de debate é fator determinante para a persistência do problema. Consoante a isso, o filósofo Habermas defende que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Portanto, a inexistência de conversa prévia entre pais e filhos para definir um limite ao uso da tecnologia configura em um posterior medo parental por estar invadido à privacidade dos filhos. Assim, é necessário um debate para estabelecer limites, caso contrário o limite entre prevenção e penetração será quebrado.

Além disso, descata-se a mentalidade familiar como forte empecilho na problemática. Segundo Durkhein e o seus estudos, fato social é a maneira coletiva de pensar. Diante de tal exposto, é evidente que uma família que não tenha conhecimento abrangente de mundo pessuponha que averiguar o que os filhos fazem na internet seja invasão de privacidade. Dessa maneira, é interessante atuar sobre o pensamento coletivo para conseguir mudar certos problemas na sociedade, um deles é a falta de limites impostos às crianças na internet.

Sendo assim, nota-se um problema que carece de intervenção. Para isso, os diretores e coordenadores escolares, devem promover conversas entre pais e filhos sobre a questão do uso destemido da tecnologia, ajudando a família a não ultrapassar os limites da privacidade, por meio de parcerias com psicólogos, a fim de exercer um controle parental na vida das crianças. Tal ação pode, ainda promover uma mudança na mentalidade dos genitores quanto a invasão da privacidade. Destarte, espera-se que com essa ação o limite entre prevenção e invasão de privacidade não seja quebrado.