Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 05/08/2022
A minissérie “Em Defesa de Jacob”, desenvolve na narrativa a dúvida de quão bem os pais conhecem seu filho, Jacob Barber, de 14 anos, o qual demonstra comportamentos preocupantes na internet relacionados ao acesso a conteúdos adultos e violentos. De maneira análoga a isso, é possível refletir a respeito do controle parental quanto ao uso da tecnologia e a linha tênue entre a prevenção e a invasão à privacidade. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a inserção precoce dos recursos digitais no cotidiano das crianças e o estabelecimento de limites nas medidas de prevenção e privacidade.
Em primeira análise, evidencia-se que nas últimas décadas o uso da tecnologia entre crianças cada vez mais jovens tornou-se uma realidade global, tal fato fora normalizado e contribuiu para a imprudência dos pais em inserirem tais dispositivos na vida dos filhos. Sob essa ótica, 10% das crianças brasileiras que têm entre 9 e 17 anos com acesso à internet afirmam terem tido o primeiro contato com a rede com seis anos ou menos, demonstra pesquisa de 2018 da Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Dessa forma, é reforçada a realidade alarmante de crianças ingênuas, cada vez mais novas, tendo acesso à dispositivos digitais.
Além disso, é notória a incompetência parental para estabelecer limites saudáveis de privacidade na tentativa de prevenir e privar seus filhos dos perigos contidos na internet. Desse modo, pais recorrem à ferramentas de controle de conteúdo e gravação das telas como tentativa de lidarem com medo crescente do que é acessado por suas crianças, resultado de sua própria negligência ao entregarem tais dispositivos a seus filhos. Consoante a isso, é gerada uma relação de desconfiança na qual os pais passam a abusar das ferramentas originalmente úteis e benéficas e as crianças sentem-se invadidas.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham amenizar o dilema da inserção das crianças na internet. Dessa maneira, cabe aos pais e mentores se educarem, com auxílio de psicólogos infantis, a fim de que aprendam com cautela a mediarem as relações entre seus filhos e a tecnologia. Somente assim, será possível fugir do perigo observado no drama criminal americano.