Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 10/11/2022

De acordo com a psicóloga Anna Karolynne Melo, coordenadora do curso de Psicologia da Unifor(Universidade de Fortaleza), afirma que controle requer conhecimento, participação e interação, bem como espaço de confiança e liberdade dentro dos limites de cada idade, o uso de internet por crianças e adolescentes pode ser perigoso, os criminosos se aproveitam da ingenuidade das vítimas para cometer crimes virtuais como clonagem de dados pessoais, cyberbullying e pedofilia. Nesse contexto, tornam-se evidentes, como causas, tanto a má influência midiática quanto a falta de conhecimento.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a má inflência midiática, presente na questão. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesta perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informações acerca da forma correta do uso do controle parental para a população, influencia na consolidação do problema.

Além disso o uso incorreto do controle parental quanto ao uso da tecnologia encontra terra fértil na falta de conhecimento. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não tem acesso à informação séria sobre o controle parental, sua visão será limitada o que dificulta a prevenção dos riscos da exposição à internet ou se executado de maneira incorreta, acarreta na invasão a privacidade das crianças e adolescentes.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessarias para resolver esse problema. Assim, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre o uso correto do controle parental. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de videos que alertem sobre as reais condições do mundo virtual, com relatos de pessoas que de fato vivenciaram problemas como o cyberbullying, pedofilia e etc, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do uso desacompanhado das redes sociais por crianças e adolescentes, além de instruir sobre os limites do controle parental, respeitando os limites da privacidade da criança e do adolescente. Dessa forma, os cidadãos atuarão ativamente na mudança da realidade brasileira.