Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 10/11/2022

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a família é a primeira instituição que um indivíduo tem contato e é a responsável por estabelecer regras para o convívio social. Nesse contexto, essa afirmação se encaixa na responsabilidade parental no controle do uso da tecnologia pelas crianças, uma vez que a utilização de aparelhos eletrônicos por esse público está cada vez mais disseminada. Assim, a possibilidade de dependência e os perigos escondidos na internet são fatores que motivam a moderação como forma de prevenção à integridade infantil.

Nessa perspectiva, o mundo tecnológico é um ambiente propício para o desenvolvimento do vício. Sob esse viés, o documentário da Netflix ‘‘Dilema das Redes’’ traz uma reflexão sobre o fato de a indústria das drogas e de softwares se referirem aos seus clientes como usuários, o que deixa implícito a possibilidade de vício no consumo. Baseado nisso, é essencial que pais e cuidadores estejam atentos quanto ao uso da internet pelos seres em formação, uma vez que, assim como a drogas, a internet pode gerar compulsão. Dessa forma, o controle, nesse caso, é benéfico e proporciona um crescimento saudável.

Além disso, o espaço virtual pode abrigar risco à vida dos seres inocentes. Dentro dessa ótica, o filme americano ‘‘Megan is missing’’ retrata o desaparecimento de uma adolescentes após se encontrar com um homem que conheceu online. Após a investigação, foi descoberto que a jovem foi brutalmente assassinada. Com isso, fica evidente que o público infantil, ao adentrar no ambiente cibernético estão sujeitas a serem vítimas de assassinos e pedófilos que usam da inocência para praticar seus crimes.

Portanto, o risco de vício e de vida são propulsores da moderação parental do uso da internet. Desse modo, é papel da Secretaria nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, órgão que tem o dever de proteger o público infanto-juvenil, criar campanhas de conscientização sobre a utilização da internet por meio de palestras nas escolas para as crianças, jovens e responsáveis, com o objetivo de alertar sobre os perigos. Apenas com essa medida, a instituição familiar atuará como responsável pelo bem-estar do indivíduo em desenvolvimento.