Coronavírus: impactos da pandemia na economia
Enviada em 16/05/2020
O surgimento de um novo vírus em dezembro de 2019, na China, tem gerado efeitos exponenciais no mundo. Em razão do seu alto grau de contágio, o avanço dos casos demanda medidas extremas. No entanto, o embate entre o elevado número de mortes e os impactos na economia dos países revela posturas como a brasileira, a qual uma crise moral faz o governo priorizar a estabilidade da iniciativa privada em detrimento de políticas de proteção social.
Em primeiro lugar, é imprescindível considerar o caráter economicamente desigual do país, evidenciado pela conquista da sétima posição no ranking mundial promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Deste modo, frente aos abalos causados pelo Coronavírus no sistema financeiro, como o fechamento do comércio e redução de circulação de pessoas na rua, depreende-se que essa parcela específica da população brasileira é afetada de maneira mais direta pela conjuntura. Em contrapartida, a Constituição Federal de 1988 assegura direitos básicos como o amparo à alimentação, saúde e renda. Portanto, infere-se que é papel dos governantes atenuar essa problemática.
Sob outro prisma, vale destacar que outras crises econômicas já afetaram a história contemporânea. Nesse sentido, para o filósofo Karl Marx, a história do capitalismo - modelo de produção atual - é uma história de crises. A quebra da Bolsa de Valores em 1929, por exemplo, foi um agravante para o surgimento de uma noção de nova sociedade, tendo em vista que a solução veio das ações incisivas do Estado para, tanto conter a falência de empresas, quanto fornecer o assistencialismo necessário. Em consonância, observa-se que esta prática é uma alternativa para mitigar as consequências da pandemia.
Em virtude dos fatos mencionados, urgem medidas para solucionar o impasse. Cabe ao Poder Executivo criar uma política de arrecadação de impostos mais justa, por meio de uma reforma fiscal que busque atenuar desigualdades durante o Estado de Calamidade provocado pela doença e vivenciado pela população vulnerável, como maiores prazos para o pagamento de dívidas. Por fim, espera-se que, com ambas iniciativas, o Brasil possa enfrentar o triste cenário de forma ética e coerente.