Coronavírus: impactos da pandemia na economia

Enviada em 21/05/2020

A peste do século XXI

A gripe espanhola do século XX, além dos impactos humanos e sociais, acarretou em uma grave recessão econômica mundial. Tal conjuntura é, novamente, vista no século XXI em que a pandemia do novo coronavírus causa uma retração acentuada do PIB global. Esse fato é agravado pela vinculação financeira dos países no mercado internacional e pela diminuta adesão da maioria das nações ao isolamento social. Portanto, é mister analisar os impactos desse contágio no cenário socioeconômico.

Nesse contexto, a integração financeira dos países em mercados estrangeiros, característica da era da Globalização, configura-se como fator para a paralisação da economia mundial em tempos de crise. Esse cenário foi previsto pelo economista Roberto Dumas ao afirmar que a pandemia causaria uma uma estagnação industrial, impactando, assim, as nações como um todo. Isso demonstra os efeitos adversos da internacionalização econômica, em que o déficit de um Estado pode desencadear uma crise em cadeia pelo globo. Exemplifica-se essa dinâmica com a Crise de 2008, uma recessão que começou em território estadunidense e logo expandiu-se para outros locais do mundo. Logo, é notável o perigo dessa conjuntura em uma pandemia e demonstra que as críticas do geógrafo Milton Santos sobre a “conquista de mercados “ desse fenômeno eram fundamentadas.

Outrossim, a flexibilização do isolamento social agrava a economia em um contexto posterior ao surto do coronavírus. Isso ocorre devido ao aumento das perdas humanas e consequente colapso do sistema de saúde, o que gera um prejuízo milionário para o governo. Esse fato é comentado pelo economista estadunidense Michael Greenstone ao afirmar que o “abandono dos bloqueios de circulação aumenta o dano econômico”. Por consequência, aumenta-se os cenários de fome, desemprego , desigualdade social e marginalização tanto em países desenvolvidos quanto em subdesenvolvidos. Assim, necessita-se de uma intensificação das medidas de restrição social pela esfera federal, como é proposto pela Organização Mundial da Saúde.

Em vista do exposto, urge que os líderes das nações mundiais estimulem a restrição à circulação de pessoas. Isso deve ser feito por meio da orientação da população sobre a gravidade da doença, bem como, intensificar o patrulhamento nas ruas e determinar multas ou mesmo encarceramento dos indivíduos que burlarem a política de quarentena sem justificativa plausível a fim de restringir o contágio e, consequentemente, salvaguardar a economia de cada país. Dessa forma, o contexto socioeconômico problemático advindo da pandemia da gripe espanhola não se repetirá e as consequências do surto do coronavírus serão mitigadas.