Coronavírus: impactos da pandemia na economia
Enviada em 23/05/2020
“Agonizou no meio do passeio público. Morreu na contramão atrapalhando o tráfego”. No trecho da música “Construção”, do cantor e compositor Chico Buarque, junto à totalidade da composição, demonstra-se que não há lamento pela morte do operário que caiu do prédio que construía, apenas, ressalta-se o problema que sua morte e seu corpo desfalecido, que jaz no meio do passeio público, trouxeram para o tráfego local. Na contemporaneidade da vida real, estamos passando por uma pandemia. Vidas já foram ceifadas e o tráfego da economia sofre danos, principalmente, porque a única prevenção contra o vírus é, segundo afamados especialistas, o isolamento, porventura, pondo a vida em contramão à economia.
Um vírus que não está dentro de qualquer espectro político, muito menos aliado a qualquer ideologia, assola os quatro cantos do mundo. Países de todos os continentes tentam achatar a curva de contágio, ou seja, desacelerar a disseminação do COVID-19, assim, não superlotando os hospitais, especialmente, os leitos de UTI. Não é só o Brasil que está passando por essa crise sanitária, tampouco, será o único que passará por uma crise económica, inclusive, segundo dados da FGV, o PIB do país deverá cair 5,4%, seguindo caminhando para enfrentar a pior recessão de sua história. Liberar a saída das pessoas às ruas, em um momento em que a taxa de contágio ainda está alta, é superlotar hospitais e deixar que vidas sejam perdidas por complicações após a contaminação geral.
Naturalmente, o mundo já passou por outras crises sanitárias, assim como, por outras crises económicas. Ressalte-se que saímos de todas elas, sobretudo, quando se respeitou os protocolos de combate. Não deveria, de forma alguma, haver oposição entre vida e economia, afinal, é sempre bom lembrar que não há economia sem vida. No mundo, alguns grupos minimizam a existência do novo coronavírus para justificar o retorno das atividades económicas plenas, mesmo que, segundo o ministério da saúde, no Brasil, as mortes já terem passado das 21.000, enquanto no mundo, segundo a OMS, mais de 337.500 vidas já foram ceifadas pelo COVID-19.
Os impactos económicos ocorrerão, principalmente, se vidas forem postas em segundo lugar à economia. O Estado mostrou-se essencial para combater a fome e as agruras do desemprego, portanto, a solução também poderia ser implementada pelo mesmo, haja vista o seu poder e controle. Procurar, por meio da internet, manter o comércio das empresas é essencial, fomentando vendas virtuais, além, de reduzir impostos. No que tange à manutenção dos empregos, o Estado deveria completar, junto aos empregadores, o salário dos empregados, não permitindo, assim, a demissão em massa. Não deixemos que a economia e a vida, mutuamente, se destruam.