Coronavírus: impactos da pandemia na economia

Enviada em 14/12/2020

Em sua música “Feliz por um triz”, Gilberto Gil declara: “Mal escapo à fome, mal escapo ao vírus”, o que retrata a realidade brasileira em 2020, embora a composição seja do século passado. Tal conjuntura deriva da pandemia da COVID-19, a qual demandou medidas de combate que impactaram negativamente a economia tanto no âmbito empresarial quanto no aspecto individual.

A princípio, o funcionamento das empresas foi afetado pelas restrições. Nesse sentido, a suspensão de serviços e a circulação de pessoas e produtos limitadas reduziram a atividade no comério e na indústria. Isso explica o registro do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística do fechamento de mais de 700 mil empresas em 2020. A partir disso, há crise nas contas públicas em razão da diminuição da arrecadação, o que é comprovado pela previsão do Poder Executivo de um déficit de aproximadamente 900 bilhões, o que implica na perda da capacidade de investimento do Estado. Portanto, além do prejuízo das organizações privadas, o contexto comprometeu o erário público.

Por consequência, há prejuízo às pessoas. Em primeiro plano, pela constatação de que todos os sujeitos dependem de empresas privadas e do Estado para assegurar a qualidade de vida e sobrevivência, de modo que a fragilização desses segmentos vulnerabiliza a sociedade por fatores como desemprego e dificuldade de acesso a serviços essenciais, como a saúde. Em segundo plano, embora muitos trabalhadores tenham aderido a alternativas eletrônicas, como por exemplo os cantores que realizaram apresentações transmitidas via internet, nem todos têm essa possibilidade, visto que há funções que não dispõem de substitutos virtuais, como a limpeza. Posto isso, em análise ampliada, os efeitos do desemprego extrapolam o meio econômico, porquanto, propiciam doenças psicológicas como depressão, ansiedade e estresse, que reincidem no plano das finanças por incapacitar esses trabalhadores.

Dado o exposto, é fulcral enfrentar os impactos da COVID-19. Para tanto, o Governo Federal, na representação do Ministério da Economia, em parceria com o Congresso Nacional, mediante discussões com parlamentares, áreas técnicas desses órgãos, empresários e entidades de classes, devem estabelecer a destinação de 10% do orçamento da União a investimentos e subsídios às empresas e à manutenção do auxílio emergencial, a fim de estimular o comércio, a indústria, a geração de empregos e o aumento da arrecadação estatal. Assim, é possível superar a conjuntura tratada.