Coronavírus: impactos da pandemia na economia
Enviada em 25/06/2020
Entre 1918 e 1919, estima-se que a Gripe Espanhola contagiou um terço da população mundial e causou a morte de mais de 20 milhões de pessoas. Considerada a maior pandemia do século, essa gerou impactos negativos a nível global nas atividades econômicas, acentuando as condições de pobreza da época. Pouco mais de cem anos depois, observa-se um contexto análogo a essa situação: a pandemia do Novo Corona Vírus acompanha uma recessão na economia, causada principalmente pela redução no consumo de bens e serviços e consequente crescimento dos níveis de desemprego.
Em primeiro lugar, as estratégias de distanciamento social, a fim de dificultar a contaminação pelo vírus, provocaram uma diminuição no consumo de bens e serviços de diversos setores. De acordo com uma pesquisa conduzida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 77% dos consumidores reduziram a compra de 15 produtos testados. Além disso, três a cada quatro entrevistados pretendem manter o ritmo desacelerado de consumo após a pandemia. É evidente, dessa forma, que a mudança no estilo de vida da população durante a quarentena traz consequências nocivas, não só passageiras, mas também duradouras, para economia.
Por conseguinte, a queda na demanda de produtos provocou o fechamento de indústrias, comércios e interrupção das atividades de produção, o que aumentou consideravelmente as taxas de desemprego. Segundo dados levantados pelo IBGE, devido a desaceleração da economia durante o período de isolamento social, houve uma ampliação no ritmo das demissões e queda nas contratações. Isso resultou em uma taxa de desemprego superior a 12% no país no primeiro semestre de 2020, a maior desde 2012. Essa problemática atenta, pois, para o descumprimento do artigo 6º. da Constituição Federal de 1988, o qual determina que o trabalho é um direito social do cidadão. Logo, este vírus não só causou o adoecimento de milhares de pessoas, como também dificultou, ainda mais, a entrega do que é de direito dos cidadãos.
Portanto, é urgente a adoção de medidas para conter a recessão econômica ocasionada pelo Covid-19. O Governo Federal deve suspender temporariamente as contribuições tributárias de empresas prejudicadas pelos decretos de quarentena, de forma a conter o endividamento, reduzir a dispensa de funcionários e evitar a falência desses empreendimentos. Aliado a isso, cabe a sociedade consumir produtos e serviços regionais, com vistas a incentivar o comércio local. Espera-se, com essa iniciativa, contribuir para manutenção dos empregados de estabelecimentos de baixo e médio porte, que são os mais prejudicados pela crise. Só assim, o colapso econômico causado pelo Corona Vírus poderá ser atenuado.