Coronavírus: impactos da pandemia na economia
Enviada em 25/06/2020
Um indivíduo em desespero, ao passo que, em seu entorno, personagens mostram-se apáticos a esse sofrimento. É isso o que se percebe no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch. Contudo, essa indiferença frente aos problemas alheios não se restringe à obra expressionista, já que, no Brasil, as vítimas dos efeitos econômicos negativos da pandemia do novo coronavírus têm sido negligenciadas por determinados setores da sociedade. Nesse prisma, cabe analisar as dificuldades financeiras das empresas e o desemprego no país.
De início, pontua-se que o Poder Público revela-se omisso ao não combater a crise nas empresas. Isso porque existe uma deficiência no processo de investimento financeiro, uma vez que verbas suficientes não têm sido disponibilizadas à ampliação da política de crédito para os microempreendedores, o que tem dificultado a manutenção do comércio e, consequentemente, favorecido a falência empresarial. Vê-se, então, que o Estado não tem assegurado o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito à consolidação dos princípios previstos na Constituição Federal de 1988.
Ademais, enfatiza-se que aceitar o desemprego é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado uma certa resignação diante da elaboração das leis, visto que falta implementar, ao ordenamento jurídico vigente, uma legislação que reduza a cobrança de impostos sobre as pequenas empresas, o que tem contribuído para o acúmulo de dívidas e, com isso, na tentativa de equilibrar as contas, fortalecido a demissão em massa. Constata-se, portanto, que a naturalização dessa problemática corrobora os estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela, a massificação social tem sido responsável por comprometer a capacidade crítica do indivíduo, o qual passa a aceitar, de maneira inerte, quadros negativos.
Convém, diante do exposto, ressaltar que os efeitos negativos da pandemia no setor econômico devem ser combatidos. Logo, é necessário que o Estado, mediante atuações do Ministério da Economia, invista financeiramente na ampliação da política de crédito, priorizando auxiliar os microempreendedores na manutenção do comércio, com o intuito de evitar a falência empresarial. Também, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância de não se adotar uma postura resignada diante do desemprego, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol da elaboração de uma lei que reduza os impostos sobre as pequenas empresas, visando à diminuição das dívidas e, por conseguinte, da demissão em massa. Desse modo, a indiferença frente às adversidades alheias poderia se restringir à obra de Munch.