Coronavírus: impactos da pandemia na economia
Enviada em 25/06/2020
Em meados do século XIX, a dispersão da peste bubônica na Ásia e na Europa causou inúmeros prejuízos econômicos e sociais nesses continentes. Já no início do século XX, ao decorrer da Primeira Guerra Mundial, a gripe espanhola impactou todo o mundo em decorrência de uma maior integração global. Essa gradação de efeitos acontece à medida que a globalização avança, o que explica os efeitos ainda mais potencializados da atual crise do coronavírus, que ocorrem devido a uma maior unificação dos mercados e interligação dos países. Desse modo, cabe analisar os seus impactos econômicos, atentando-se ao desemprego e à fuga de capitais.
Inicialmente, é importante considerar que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, as empresas relacionadas à prestação de serviços representam a maior parcela quantitativa do setor terciário, sendo elas responsáveis pela geração de muitos empregos. Nesse sentido, diante da situação atual, a qual impossibilita o exercício de diversas atividades, como a realização de shows e a exibição de teatros e de cinemas com público presencial, há uma retração desse setor. Com isso, verifica-se o encerramento de várias operações e, concomitantemente, a ocorrência de muitas demissões, o que gera um quadro de desemprego estrutural. Este, por sua vez, implica em um menor consumo por parte da população e, com isso, há uma menor atividade produtiva e menos arrecadação de impostos pelo Estado, gerando prejuízos econômicos para toda a sociedade.
Outro ponto relevante, nessa discussão, diz respeito à evasão de capital decorrente da crise. Para entendê-la, cabe resgatar os princípios do Keynesianismo, que se trata de uma série de medidas intervencionistas adotada pelo governo norte-americano após a crise de 1929 e que se tornou um modelo copiado pelos países em momentos de recessão. Nesse contexto, tal ação foi elaborada pelo Ministério da Economia ao criar auxílios financeiros de forma exagerada, intervindo fortemente na economia. No entanto, é preciso considerar que o Brasil, diferentemente dos Estados Unidos na década de 1920, apresenta muitas dívidas internacionais. Logo, ao realizar mais empréstimos para prover capital à população, o governo amplia seu crédito devedor, o que leva a uma insegurança financeira por parte dos credores, os quais, temendo que o Estado não os pague, retiram os investimentos do país.
Portanto, cabe ao Estado garantir a empregabilidade por meio da concessão de uma plena autonomia às prefeituras municipais, permitindo-as gerirem as medidas de enfrentamento da crise conforme as necessidades locais, como a permissão à abertura de comércios e de empresas, de modo moderado e seguro, respeitando o uso de proteções individuais, onde não há altas taxas de transmissão. Desse modo, mais empregos e investimentos serão mantidos, amenizando os prejuízos econômicos.