Coronavírus: impactos da pandemia na economia
Enviada em 02/07/2020
Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor José Saramago sinaliza, metaforicamente, uma crítica ao individualismo através de um processo epidemiológico de perda de visão que atinge toda uma comunidade. No Brasil, por exemplo, essa incapacidade coletiva de enxergar é vista na indiferença do Estado e de parte da população frente aos efeitos negativos da pandemia do novo coronavírus na economia. Diante do exposto, cabe analisar as dificuldades financeiras das empresas e o desemprego durante o isolamento social no país.
Antes de tudo, pontua-se que o Poder Público tem se mostrado negligente ao permitir a crise do setor empresarial. Como prova disso, vê-se a omissão das instituições governamentais ao não promoverem o maior direcionamento de verbas para a ampliação da linha de crédito aos empresários com limitação econômica, o que pode prejudicar o pagamento das dívidas acumuladas na pandemia e, consequentemente, a consolidação do direito de se empreender. Desse modo, certifica-se que o bem-estar de toda a coletividade não tem sido assegurado, demonstrando, a ruptura dos princípios presentes na Constituição Federal de 1988.
Ademais, observa-se que parcela da sociedade tem aceitado o desemprego, o que denota uma banalização do mal. Confirma-se isso pela apatia de alguns indivíduos perante a ausência de leis mais rígidas, visto que a legislação em vigor não tem inibido a dispensa definitiva dos empregados que tiveram seus contratos suspensos temporariamente durante a pandemia, o que gera, por conseguinte, a instabilidade financeira daqueles. A naturalização desse fato, corrobora os estudos de Hannah Arendt, pois, segundo a filósofa, o enfraquecimento da capacidade humana de discernir o certo do errado é resultado de um processo de massificação social.
Evidencia-se, portanto, que os efeitos negativos da pandemia do novo coronavírus na economia devem ser combatidos. Para isso, é necessário que o Ministério Público solicite ao Poder Executivo o maior direcionamento de verbas para o Ministério da Economia de modo a possibilitar a expansão do sistema de empréstimo as empresas, a fim de evitar o endividamento dessas. Ainda, é fundamental que Organizações Não Governamentais, através de veículos midiáticos, promovam campanhas de conscientização que visem estimular a mobilização coletiva para que se exija do Estado a elaboração de leis mais rígidas, evitando comprometer a renda dos trabalhadores, com o objetivo de garantir os direitos básicos dessa parcela da população. Sendo assim, seria possível restringir a negligência social à obra de José Saramago.