Coronavírus: impactos da pandemia na economia

Enviada em 15/07/2020

Na peça “Um inimigo do povo”, escrita por Henrik Ibsen, o drama transcorre em uma pequena cidade do litoral meridional da Noruega, o personagem central é Dr. Thomas Stockmann. Ele descobre que a água de uma estação balneária estava contaminada com detritos de animais decompostos e opta por informar a população, mas esta decisão trazia junto de si inúmeras implicações. Hovstad desiste de publicar seu artigo após conversar com o prefeito da cidade, irmão de Thomas, alegando que traria inúmeros prejuízos financeiros para a comunidade, por exemplo, os turistas se afastariam da estação balneária, os investidores, principalmente os menores, perderiam todo o seu dinheiro aplicado, e, por fim, os assinantes do jornal o boicotariam, a partir do momento que identificassem o jornal como veículo disseminador de más notícias.

Para tentar conter a pandemia do coronavírus, a população mundial foi submetida a medidas de isolamento, que incluíram fechamento de escolas e do comércio, interrupção da produção industrial e fechamento de fronteiras. Na China, onde o surto começou, o PIB caiu 6,8% no 1º trimestre, na primeira contração desde 1992, quando dados trimestrais oficiais do PIB começaram a ser publicados no país. Houve simultaneamente um choque de oferta, por meio da quebra de cadeias globais de produção, e de demanda, com as famílias parando de consumir ou comprando menos, quer seja por queda da renda ou por medo de recessão. A Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê que comércio global recuará em até 32% neste ano.

A OCDE defende que o mundo adote um plano com quatro pilares para enfrentar a pandemia atual. Ele inclui exames gratuitos para diagnosticar a doença, melhores equipamentos para profissionais de saúde, transferências de recursos para trabalhadores, incluindo os autônomos, e adiamento da tributação para empresas. Angel Gurría, secretário-geral da entidade, compara o nível de ambição ao Plano Marshall, que ajudou a bancar a reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e afirma que o choque econômico já é maior do que a crise financeira de 2008 ou a de 2001, após os ataques de 11 de Setembro daquele ano.

Após a análise dos impactos da pandemia na economia, conclui-se que as empresas devem fazer um plano estruturado de contingência, com o objetivo de descrever as medidas a serem tomadas, incluindo a ativação de processos manuais, para fazer com que seus processos vitais continuem ou voltem a funcionar plenamente ou num estado minimamente aceitável o mais rápido possível, evitando assim uma paralisação prolongada que possa gerar maiores prejuízos a corporação. Por fim, elas possam traçar um plano de ação planejado para esses casos de crise de pandemia.