Coronavírus: impactos da pandemia na economia
Enviada em 10/08/2020
Desde meados de fevereiro, quando os primeiros casos começaram a ser diagnosticados na Europa, já se previa que muitos seriam os países atingidos pela COVID-19, e que aqueles que conseguissem controlar mais rapidamente a epidemia ganhariam destaque na geopolítica mundial. Entretanto, conforme o vírus se espalhou foi possível notar como as diferenças nos recursos disponíveis modificou a qualidade da resposta dada por cada nação. Assim, é possível afirmar que, por terem mais recursos, países ricos tendem a lidar melhor com a crise, o que aumentará a desigualdade global.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a maioria dos países optou por evitar entrada e a transmissão comunitária do vírus em seu território, cercando-o por meio de testes e isolamento. Tais medidas, recomendadas pela Organização Mundial de Saúde, tinham como objetivo salvar vidas, mas é possível afirmar também seu efeito nas economias. Isso porque, como já haviam demonstrado os exemplos de China e Itália, as nações que deixavam o vírus se espalhar necessitavam de maior tempo e mais profundo isolamento para controlar a transmissão. Isso traz implicações sérias para a economia, visto que diminui muito as transações comerciais e a produção, comprometendo as receitas e gerando, também, desconfiança nos investidores.
Entretanto, as recomendações dadas pela OMS não levam em conta as dificuldades que as diferentes nações enfrentam para implementá-las. Assim, o Brasil, por exemplo, encontrou barreiras ao tentar importar testes, mesmo possuindo recursos para isso, pois as nações mais ricas foram as primeiras a garantirem seus estoques. Outra dificuldade encontrada por todas as nações, mas que pesam mais sobre as mais pobres, é a de garantir uma renda emergencial mínima que possibilite o isolamento social. Por esses motivos, é possível afirmar que, proporcionalmente, países mais ricos, por mais que tenham também grandes perdas econômicas, tendem a se recuperar mais rapidamente, pois tiveram condições para responderem mais rápida e eficientemente ao chamado da OMS.
Portanto, para evitar que as desigualdades aumentem ainda mais, é necessário que sejam disponibilizados recursos para que os países mais pobres lidem com a crise econômica mundial iminente. Isso deveria ser feito por meio de fundos financiados pelos países mais ricos, geridos por organizações como a Organização Mundial do Comércio e o Banco Mundial. Cabe destacar que tais valores deveriam ser cedidos a juros zero, visto que se trata de uma questão humanitária, com a contrapartida de serem investidos na geração de empregos e de forma a chegarem nas populações mais vulneráveis, evitando que a miséria aumente muito nas nações mais pobres nos próximos anos.