Coronavírus: impactos da pandemia na economia

Enviada em 09/08/2020

Apesar de tanto material na ficção, com diversos livros e filmes sobre o tema, a Pandemia da COVID-19 pegou a humanidade completamente desprevenida. Bastante “democrática”, a crise sanitária atingiu ricos e pobres, sacudindo um dos maiores alicerces de qualquer país: a saúde. Fala-se o tempo todo sobre os impactos na saúde pública, bem como na lotação dos leitos hospitalares e mortes. Todavia, os impactos negativos vão muito além e precisam ser igualmente priorizados. A crescente recessão econômica fará um estrago ainda maior que o vírus, atingindo outros milhões de vidas, que possivelmente não contarão com uma estatística tão precisa quanto as oferecidas pelos testes laboratoriais. No Brasil o quadro é ainda pior, posto que o país já enfrenta uma crise econômica antiga.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 700 mil empresas fecharam as portas no Brasil, durante a Pandemia. A Organização Mundial do Comércio já projeta uma retração econômica mundial, variando de cinco a quinze pontos percentuais. Impactos dessa magnitude levarão décadas para serem superados, e inúmeras vidas serão perdidas com a criminalidade e suicídios, produto da alta do desemprego, já em curso. A frieza objetiva dos números, porém, contrasta com o caráter subjetivo dado ao problema, principalmente no âmbito do debate público. Ou seja, existe uma barreira conceitual, sobretudo no Brasil, em que o diálogo tem sido bastante prejudicado.

Portanto, para além da saúde pública, a Pandemia é uma crise social. Nesse sentido, o desafio dos Governantes é aproximar a preocupação econômica do discurso da Organização Mundial de Saúde, que por óbvio, foca na saúde. O caso do Brasil foi bastante singular, visto que o Presidente falhou em dialogar com as esferas estaduais e municipais. O resultado foi a completa politização da Pandemia, alimentada pela oposição e pela postura contraditória do Presidente da República, que ostenta um discurso negacionista, que passa a nítida impressão de descaso com as vítimas e preocupação puramente econômica. No meio de tudo, uma população perdida, sem saber a quem seguir.

Decerto, principalmente no Brasil, a mitigação dos impactos econômicos da Pandemia é um desafio institucional, que exige atuação harmônica de todos os agentes públicos. Para tanto, é preciso unificar o discurso no sentido de que economia e saúde não são independentes, tampouco opostos. O Ministério da Saúde, em conjunto com cada gestor municipal, deve mapear cada município e definir políticas individualizadas de contenção. O Brasil é um país continental e o perfil epidemiológico difere substancialmente entre os municípios. Nesse sentido, seriam possíveis políticas de isolamento mais eficientes e criteriosas onde necessário, evitando o confinamento indiscriminado, a asfixia econômica e o desemprego, que fatalmente obrigariam o brasileiro a um confinamento de geladeira vazia.