Coronavírus: impactos da pandemia na economia

Enviada em 16/08/2020

Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de resolução. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e os efeitos negativos da pandemia do novo coronavírus na economia brasileira, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar as dificuldades financeiras das empresas e o desemprego durante o isolamento social no país.

De antemão, vê-se que o Poder Público se mostra negligente ao não desburocratizar os procedimentos para a adesão de linhas de créditos. Isso porque um empresário pode ter interesse de ir a uma agência bancária para adquirir um empréstimo. Contundo, entender que os processos para a obtenção dessa verba são burocráticos tende a se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre constantes conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).

Ademais, enfatiza-se que há uma certa resignação social diante do desemprego. Como prova disso, percebe-se a inércia de parte da população ao não lutar por fiscalização estatal, visto que, que falta investigar a lei que proíbe a demissão de funcionários que tiveram os contratos temporariamente suspensos durante a pandemia, causando, dessa forma, a instabilidade financeira destes. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos indivíduos, comprometendo, dessa maneira, o senso crítico desses.

Constata-se, finalmente, que os efeitos negativos da pandemia na economia devem ser solucionados. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a reelaboração da lei existente acerca da burocratização, através do Poder Legislativo, objetivando, com isso, diminuir os procedimentos para a adesão de linhas de créditos. Além disso, é fundamental sensibilizar a população, mediante campanhas midiáticas produzidas por organizações não governamentais, a fim de não haver a banalização do desemprego, o que pode ser potencializado, por intermédio do Ministério Público Federal, por meio da fiscalização do ordenamento jurídico que proíbe a demissão de trabalhadores no período da pandemia, com o objetivo de evitar a instabilidade financeira dos contratados. Desse modo, assim como no quadro “Guernica”, seria possível iluminar o processo de resolução dos impasses.