Coronavírus: impactos da pandemia na economia

Enviada em 20/08/2020

Declarada pandemia pela Organização Mundial da Saúde em março de 2020, a emergência do novo coronavírus tem sido considerado motivo de crescente preocupação, não só pelos impactos nas redes de saúde do Brasil, mas também pelas consequências sobre a economia de um país que se recupera a passos lentos de um período de recessão. Nesse contexto, entende-se que austeridade nos investimentos e gastos públicos, bem como a situação do aparato técnico e científico, apresentam-se como entraves para a retomada econômica.

Em primeira análise, a política de austeridade adotada como solução ao descontrole das finanças públicas contribui para inabilidade do Estado em combater à crise. Após a Grande Depressão de 1929 nos Estados Unidos, o governo do então presidente Roosevelt pôs em prática uma política de reerguimento da economia que ficou conhecida como “New Deal”, que baseava-se nos pressuposto de economista John Keynes. Sob essa ótica, o Estado deve investir e aumentar suas despesas durante períodos de crise, com o fito de manter o devido equilíbrio da oferta e demanda comerciais, provendo, assim, fôlego e sobrevida à economia. Não à toa, como medida de combate aos impactos causados pelo novo coronavírus, o Congresso brasileiro, no primeiro semestre de 2020, aprovou um projeto intitulado de “Auxílio Emergencial”, no qual é fornecida uma quantia a autônomos e desempregados, visando dirimir os efeitos da estagnação financeira. Dessa maneira, se faz necessário a expansão de programas de investimento público que atenuem os danos às camadas sociais mais vulneráveis.

Ademais, outro fator é responsável pelo agravamento do cenário econômico brasileiro: o descaso com o aparato técnico e científico. O alto número de testagem foi um dos aspectos distintivos nos casos de sucesso ao combate do covid-19 em países como Coréia do Sul e Alemanha. A indústria de insumos químicos nesses países foi responsável pela rápida produção dos testes necessários para garantir o acompanhamento da evolução da doença, bem como garantir o isolamento dos infectados. No Brasil, contudo, o baixo investimento no campo científico coloca-o em posição de dependência em relação aos países desenvolvidos, dificultando, assim, a obtenção de testes, o rastreamento dos infectados e, consequentemente, o prolongamento dos efeitos do fechamento do comércio.

Verifica-se, portanto, os aspectos conjunturais do problema. Desse modo, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Economia - órgão responsável pelas ações estratégicas no setor econômico -, estender a concessão de ajuda financeira ao período pós-pandemia, por meio de depósito direto em contas bancárias, a fim de promover capacidade de restruturação da economia do país. Assim,