Coronavírus: impactos da pandemia na economia
Enviada em 23/12/2020
A economia brasileira apresenta um perfil sólido, cujo Produto Interno Bruto (PIB) tem dependência direta de setores da agropecuária, serviços, indústria e comércio, que foram profundamente abalados após o mês de abril, quando o governo decretou a quarentena. Em um mundo em que o grupo dos 85 mais ricos tem riqueza igual a de mais da metade da população mundial, essa pode ser caracterizada como a crise mais importante do século XXI, já que tem relação direta com o aumento das diferenças sociais. Sob essa ótica, é necessário analisar a relação de interdependência dos países em relação à economia, bem como as consequências da pandemia do novo coronavírus para a população brasileira.
Primeiramente, com o processo de globalização, as economias dos países se tornaram interdependentes, de tal forma que um fenômeno que ocorre em uma nação pode interferir na geopolítica global. Frente a esse panorama e considerando que todos os continentes sofreram com a pandemia, o impacto da quarentena nas finanças públicas brasileiras foi profundo e tem previsão de reequilíbrio prevista para demorar anos, considerando que já em 2020 houve uma retração de 5,5% das atividades comerciais, de acordo com o Portal G1 de notícias. Com o comércio paralisado, no fluxo da recessão econômica e sem chance de manter as portas abertas, diversas empresas decretaram falência e promoveram demissão em massa de seus funcionários, gerando um excedente de mão de obra sem renda, o que teve uma influência adicional negativa na economia interna.
Como consequência, o resultado principal foi uma elevação da desigualdade social de norte a sul, especialmente nas grandes metrópoles, como São Paulo e Rio de Janeiro, mostrando que o país, que já era demasiado díspar, não estava preparado para um processo tão delicado de recessão. Por conta disso, os integrantes das famílias sem renda fixa, para proverem suas famílias de condições mínimas de vida, um direito previsto na Constituição de 1988, precisaram sair às ruas para o trabalho informal, aumentando a aglomeração e o risco de contaminação pelo SARS-COV-2, quando a recomendação era ficar em casa, criando a possibilidade de uma segunda onda e da postergação à normalização.
Depreende-se, portanto, que o Estado tem o dever de promover a regulação da dinâmica econômica do país, através do incentivo financeiro às empresas, bem como do apoio assistencial mensal, enquanto durar a pandemia, à população de baixa renda. Este, por sua vez, terá como consequência a manutenção das atividades dos comerciantes de bairro, contribuindo para a arrecadação de impostos pelo governo e para a redução das demissões a nível local. Isso poderá favorecer, ao menos em parte, a circulação monetária das cidades menores, reduzindo, mesmo que minimamente, as enormes disparidades sociais no Brasil.