Coronavírus: impactos da pandemia na economia
Enviada em 15/01/2021
Na obra “Capitalismo e Liberdade”, o renomado economista Milton Friedman propõe um programa de renda cidadã, paga pelo estado a todos os habitantes, com o intuito de movimentar a economia. De maneira análoga, para amenizar os impactos da pandemia de Coronavírus, o Governo Federal implantou o Auxílio Emergencial de 600 reais mensais para os brasileiros listados no Cadastro Único. Porém, devido à considerável alta da inflação e ao alarmante número de falências, a economia do país fechou o ano em déficit. Assim sendo, é crucial o debate de medidas para minimizar as perdas financeiras ocorridas em consequência da Covid-19.
É incontestável que a alta da inflação atingiu fortemente a população brasileira: devido à pandemia, os investidores recorreram ao dólar como reserva de valor, desvalorizando o real e encarecendo as commodities - especialmente os gêneros agrícolas -, o que desencadeou um expressivo aumento no custo dos produtos da cesta básica. Segundo a economista Marília Fontes, analista da “Nord Research”, a inflação é 3 vezes pior para os mais pobres do que para os mais ricos, que têm acesso a mais informações sobre aplicações de renda fixa lastreadas ao IPCA, índice que mede as variações do custo de vida no Brasil. Essa realidade evidencia e ratifica a necessidade da educação financeira para a manutenção do poder de compra e para a superação dos impactos econômicos do Coronavírus no Brasil.
Ademais, o alarmante número de falências empresariais que, em julho de 2020, superou em cerca de 71% as ocorrências do mesmo mês do ano anterior, segundo dados do “Boa Vista SCPC”, afetou consideravelmente o PIB do Brasil, do qual as micro e pequenas empresas são responsáveis por 27%, estima o Sebrae. Tendo em vista que essas modalidades de CNPJ representam 95% do total, conforme o IBGE, e que, naturalmente, essas entidades não têm um caixa robusto para utilização em momentos de faturamento reduzido ou nulo, é importante que o Banco Central conceda crédito a juro zero com longos prazos de pagamento a essas companhias, para garantir o seu funcionamento contínuo.
Infere-se, portanto, à vista dos impactos da pandemia na economia do Brasil, que é vital que o Governo Federal, por meio do Banco Central, implante um programa de crédito para micro e pequenas empresas, a juro zero e com prazos flexíveis de pagamento, de modo que impulsione o crescimento da economia mesmo durante crises e minimize o número de falências desse tipo de instituição, bem como a inadimplência em bancos, a fim de garantir o desenvolvimento socioeconômico do país. Esse plano, somado ao auxílio emergencial de 600 reais mensais para pessoas físicas garantirá a manutenção dos direitos sociais previstos na Constituição Federal de 1988 de acordo com as ideias de Milton Friedman.