Coronavírus: impactos da pandemia na economia
Enviada em 17/02/2022
Desemprego recorde, redução do poder de compra dos consumidores e queda da produtividade nas empresas constituem alguns dos efeitos da pandemia do coronavírus na economia. Logo, uma questão de números e de gráficos, certo? Na verdade, uma questão de pessoas. Isso porque, ao menos no Brasil, existe um grupo que está sendo mais destacadamente afetado por essa enxurrada de acontecimentos: os trabalhadores do mercado informal.
Evidentemente, a atual crise sanitária impactou e tem impactado a todos. Em termos prospectivos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que as economias emergentes e em desenvolvimento, como a do Brasil, sofram um declínio de ao menos 1% por causa da pandemia. Isso, claro, evoca tanto a médio quanto a longa prazo, uma preocupação coletiva devido a maior probabilidade de desemprego e de falências empresariais. Entretanto, ao contrário do que alega parte do senso comum, não navegamos de forma alguma no mesmo barco.
No Brasil, os trabalhadores do setor informal não dispõem da proteção de leis trabalhistas. Afora isso, essa categoria é comumente composta por pessoas com baixo nível de escolaridade, a exemplo dos vendedores ambulantes. Esse mero e despretensioso detalhe dificulta até mesmo a migração para diferentes postos de trabalho. Tanto é assim que, uma vez concedido o auxílio emergencial de valor de 600 reais, conforme relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), 32% dos domicílios brasileiros deixaram temporarariamente a condição de extrema pobreza no curso de uma crise mundial para ocupar uma nova classe social.
Com base nisso, apesar dos números e das manchetes de jornais afetarem possíveis ânimos e esperanças de forma geral e ampla, como se juntos estivéssemos no mesmo barco, há verdade é que há um grupo em especial necessitando de amparo do Estado. Nesse sentido, convém ao governo e seus representantes a aprovação das reformas administrativa e trabalhista, a fim de que, com responsabilidade fiscal, ninguém mais, com ou sem crise, dependa de um auxílio de 600 reais para resgatar o seu direito ao trabalho e a uma vida digna, como bem preceitua o texto da Constituição Federal desse país.