Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 06/11/2025

De acordo com Immanuel Kant, filósofo iluminista, o homem é produto da educação que recebe. Nesse viés, é possível dizer que o caráter do ser humano é formado, especialmente, a partir do acesso a instituição de ensino, tal qual a universidade. Entretanto, embora a importância do aprendizado, esse acesso educacional nem sempre é garantido, devido, maiormente, pela disparidade socioecônomica, historicamente causada, no Brasil.

De início, é imprescindível mencionar a Lei Áurea que extinguiu a escravidão no século XIX. Decerto que esse momento marcante da história brasileira, em que os negros, antes tidos como uma subespécie e amplamente explorados, tiveram sua condição de vida alterada por causa da abolição. Embora essa mudança tão necessária, visto que visava a igualdade legal e dignidade humana, pouco se fez para a inserção devida dessas pessoas exauridas na sociedade vigente. Consequentemente a isso, cria-se uma alta desigualdade socioecômica que, infelizmente, persiste no Brasil contemporâneo.

Dessa forma, pode-se afirmar que grande parte da população afrodescendente brasileira sofre, pela ausência de políticas publícas inclusivas no final do século XIX, para ascender financeiramente por não ter, como fruto dessa dívida histórica, o justo acesso educacional. Nesse sentido, as cotas existentes nas universidades, que permite a inserção maior do negro em escolas de nível superior, são, nada mais, que uma reparação estamental. Prova disso, se encontra nas reportagens do Jornal G1 que relata um aumento de 70% na quantidade de universitários afrobrasileiros.

Diante disso, é interessante que o Poder Público realize, por meio do aumento no número de cotas raciais, uma maior política de inclusão a fim de diminuir mais ainda essa desigualdade.