Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 09/10/2019
Atualmente, no Brasil, a política de cotas almeja facilitar o ingresso de alunos que estudarem em escolas públicas, rumo às universidades federais. Por um lado,aqueles que defendem essa medida propõem a necessidade de compensar os danos gerados pelo racismo e pela desigualdade social no país. Dentro de outra perspectiva, porém, os críticos afirmam que esse sistema nada mais é do que um paliativo, e não uma solução definitiva. De fato, estes, que se opõem às políticas afirmativas, estão corretos nesse aspecto, ao passo que, ainda assim, elas devem continuar, tendo em vista a ampliação da cidadania e da justiça social no Brasil, carentes de melhorias em relação à efetiva participação de todos em uma democracia plena.
Em primeiro lugar, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontou que " 43,1% da população nacional se declarou como sendo parda". Todavia, o primeiro senador negro, Abdias do Nascimento, eleito pelo Partido Democrático Trabalhista, tomou posse apenas em 1999, 110 anos após a proclamação da República. Desse modo, é evidente que há discriminação e que ela, em certa medida, condiciona e limita os papéis dos indivíduos na sociedade brasileira. Por esse motivo, as cotas v~em para minimizar essa herança histórica desleal, ao atender a necessidade imediata de formar profissionais de todas as etnias e classes sociais.
Ademais, o fato de a política de cotas, determinada pela Lei n. 12.711/2012, ser paliativa não é, necessariamente, contraditório, uma vez que há urgência para democratizar o ensino superior a todos, pois a desigualdade social e racial ainda é um mal que persiste. Como prova disso, um levantamento do Semesp mostrou que, apesar de serem maioria, os negros representam uma parcela inferior em relação àqueles identificam como brancos, no que tange à composição étnica dos universitários, dado que reforça a importância das ações afirmativas para reverter esse cenário desigual, ao agir de maneira ágil, com isso, evitar um futuro mais injusto.
Por fim, com o intuito de sensibilizar a população a respeito da necessidade de se aderir à política de cotas nas universidades brasileiras, é preciso que o Ministério da Educação promova reuniões nas escolas particulares com professores de história capacitados. Nesses encontros, eles explicarão a pessoas de todas as idades sobre o legado deletério do racismo e do preconceito contra indivíduos de baixa renda no Brasil. Dessar forma, as cotas passarão a ser vistas como mecanismos de inclusão, não de remediação ineficaz, ao assegurar oportunidades de ingresso ao ensino superior a todos, honrando a memória do falecido ex-senador Abdias do Nascimento que, mesmo sendo negro, superou as adversidades e obteve lugar de fala frente ao racismo e às injustiças sociais.