Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 03/12/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a dificuldade que o jovem de baixa renda tem ao dar continuidade nos estudos apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da baixa qualidade do ensino em escolas públicas, quanto da ausência de equiparidade em relação ao acesso de pessoas carentes às instituições acadêmicas de curso superior . Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que as precárias condições do ensino em escolas públicas nos primeiros anos derivam da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, alunos, que não têm condições de pagar um ensino particular, ficam a mercê de dados estatísticos do estado, esses com o intuito somente de mostrar dados quantitativos e não qualitativos. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a inversão de qualidade nas instituições brasileiras de educação: até o nível médio, o ensino é precário não concedendo aos discentes base para o ingresso em universidades públicas, as quais têm ensino de boa qualidade. Partindo desse pressuposto, os estudantes de classes mais abastadas, que têm condição de arcar com cursos pagos e específicos para os vestibulares, estão em vantagem em relação aos de baixa renda.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a desigualdade social no Brasil, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na criação de cursos pré-vestibulares de qualidade e gratuitos aos discentes com baixa renda. Além do mais, é fundamental a concessão de auxílios monetários aos melhores alunos desses cursos, para que possam se dedicar somente à área acadêmica. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da discrepância de qualidade no ensino do Brasil, e a coletividade alcançará a “Utopia” de More.