Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 11/06/2020
Certamente, se sabe que o racismo está muito presente na sociedade brasileira, entretanto, a maior parte da população branca não tem conhecimento do impacto da discriminação racial na vida do negro. Infelizmente, a cor da pele determina diversos fatores relacionados não só à oportunidades, como a garantia de um emprego, mas também à direitos do cidadão, como a proteção policial e, principalmente, o ensino. O racismo é fruto da escravidão e, mesmo depois da abolição da escravatura, o preconceito permaneceu e está presente na sociedade atual. Ademais, a escravidão contribuiu para que a população negra fosse excluída da sociedade e se tornasse a camada mais pobre, já que, após o fim da escravidão, os negros foram expulsos das senzalas sem ter para onde ir. Visto isso, foram criadas políticas afirmativas para reparar a dívida histórica entre brancos e negros, o que gerou uma grande polêmica, pois alguns acreditam que cotas causam mais segregação racial e tiram oportunidades dos brancos, uma vez que a entrada nas universidades dependeria apenas do mérito.
Inquestionavelmente, a implementação de cotas, tanto raciais quanto sociais, é extremamente necessária como uma medida de transição. Com certeza, a entrada nas universidades deve depender do mérito, no entanto, os cotistas e os não cotistas não possuem as mesmas oportunidades, portanto, a retirada da política de cotas traria ainda mais desigualdade. O ensino de base público do Brasil é muito precário, logo, a chance de um estudante de escola pública conseguir uma vaga em uma universidade pública é muito pequena, porque ele teria que competir com todos os estudantes de escola particular, que tiveram um ensino com qualidade muito superior, assim, fortalecendo ainda mais a elite branca brasileira e aumentando a desigualdade.
Como resultado da escravidão a população negra compõe maior parte da classe trabalhadora do país, ou seja, é a população que mais depende do ensino público. Desse modo, não é possível diminuir o preconceito racial e a irregularidade no ensino sem a implementação da política de cotas. Além disso, levando em conta o cotidiano dos negros e a quantidade de oportunidades que lhes são tomadas apenas pela cor da pele, o mínimo que pode ser feito é criar medidas para que eles possam ganhar visibilidade e serem tratados como iguais.
Dessa forma, para que todos tenham as mesmas oportunidades e a política de cotas possa ser retirada, é preciso o investimento do Ministério da Educação no ensino de base público. O ensino é um direito do cidadão e as escolas públicas foram criadas para atender à maior parte da população, logo, devem oferecer um ensino de qualidade. Enquanto não há investimento do governo, a política de cotas é a forma mais justa de garantir igualdade entre os estudantes de ensino superior.