Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 14/06/2020

Falta de incentivo financeiro e fraudes: os problemas nas cotas universitárias no Brasil

A discrepância entre a educação privada e a pública no Brasil é expressiva. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, apenas 36% dos alunos que frequentam escolas estaduais e municipais conseguem acessar a universidade. Nesse contexto, as cotas universitárias foram criadas, a fim de promover a igualdade no acesso ao ensino superior entre os dois grupos. Entretanto, a dificuldade de  muitos alunos em se manterem na graduação por falta de verbas de permanência que cubram suas necessidades básicas, e as fraudes recorrentes em relação aos pretos e pardos, são problemas que frequentemente prejudicam o programa.

Antes de tudo, destaca-se que o Ministério da Educação atualmente destina um auxílio de R$ 900,00 aos indígenas e quilombolas e de R$ 400,00 aos demais grupos. Entretanto, as quantias não são suficientes, visto que muitos discentes se necessitam arcar com aluguéis, livros, congressos e materiais para o período letivo. Diante desse quadro, a evasão universitária se torna a realidade de parte desses ingressantes, como aponta a Agência Brasil, que em estudo demonstrou que o índice pode chegar a 18,4% nas instituições públicas do país, prejudicando as chances desses indivíduos de buscarem um futuro mais promissor.

Depois, é importante ressaltar que alguns cidadãos burlam o sistema cotista e ocupam os lugares destinados a pretos e pardos nos cursos. O G1, por exemplo, relatou que a universidade paulista Unesp expulsou trinta alunos após uma auditoria rigorosa que comprovou a ocupação das vagas por pessoas que não se encaixam nos parâmetros estabelecidos em lei - tais como cor de pele, histórico familiar, traços físicos, entre outros. Acontecimentos como esse demonstram a debilidade na fiscalização dos documentos e nas entrevistas dos que aplicam para o processo seletivo, prejudicando os realmente precisam e que acabam por perder a oportunidade de estudar.

Diante do exposto, medidas são necessárias para combater os problemas relacionados às cotas universitárias no país, como a falta de verbas de permanência aos alunos e as fraudes raciais no programa. Sugere-se que, o Ministério da Economia aumente as atuais bolsas para R$ 1.000,00 e R$ 1.500,00 mensais, o que garantirá um amparo mais sólido aos discentes e evitará a evasão escolar. Além disso, o Ministério da Educação pode exigir uma apuração mais severa em relação aos que aplicam para entrar pelo benefício racial. Isso poderia ser feito por meio de duas entrevistas em dias diferentes e com bancas avaliadoras distintas, composta por professores e sociólogos. Desta forma, a democratização do acesso ao ensino superior se fará de forma mais justa.