Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 16/07/2020

Em abril de 2012 o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da adoção do sistema de cotas nas universidades públicas. O número de negros que tinham acesso aos cursos superiores de Medicina no Brasil antes das leis de cotas era ínfimo, ao passo que a população negra estava relacionada, em sua maioria, a desigualdade racial e à falta de acesso à escolaridade.

Em primeiro plano, devemos falar sobre desigualdade racial como um dos motivos para existir a cota. Segundo o IBGE, o rendimento médio domiciliar per capita de pretos e pardos era de R$ 934 em 2018. No mesmo ano, os brancos ganhavam, em média, R$ 1.846 – quase o dobro. Os brancos ganham mais e com isso acabam tendo mais previlégios, como escola particular, os filhos não precisam trabalhar, não precisam se preocupar se vai ter o que comer ou não.

Em segundo plano, devemos destacar à falta de acesso à escolaridade como um dos motivos para existir a cota. Na música ‘‘Cota não é esmola’’ da Bia Ferreira, mostra como é a vida nas escolas dos negros da comunidade. A cota garante a igualdade de acesso ao ensino, devido à discrepância do ensino básico público para o privado e um contexto histórico-cultural que desfavorecia o pobre e o negro na sociedade, além de proporcionar representatividade dessa classe no meio acadêmico, servindo de espelho para as gerações mais jovens.

Infere-se,portanto, que a cota é uma inclusão de pessoas menos favorecidas. E as faculdades devem dar mais oportunidades para essas pessoas, como cursos para quem não tem condições de pagar um cursinho para passar na faculdade, dando aulas no ‘‘Youtube’’, disponibilizando livros didaticos para redação e ademais matérias, com o objetivo de que os alunos desfavorecidos tenham mais oportunidades.