Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 23/09/2020

Em 1888, foi declarado o fim da escravidão no Brasil a partir da Lei Áurea. Diferente de outros países, não houveram políticas de inserção da população negra, e, consequentemente, ela foi excluída e marginalizada. Por isso, até hoje, com mais de 130 anos desde a execução da lei, ainda há reflexos na sociedade. Logo, ações inclusivas, como a política de cotas, são necessárias para acabar com a dívida histórica com os negros.

No entanto, no atual Brasil contemporâneo, ainda há pessoas que acreditam que vivemos um sistema igualitário baseado na meritocracia. Porém, estatísticas provam que mesmo 54% da população sendo negra, eles constituem 76% dos pobres e apenas 17% entre os mais ricos, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).  Assim, percebe-se que mesmo sendo maioria da população, até hoje não conseguiram ascender socialmente. Por isso, mostra-se tão essencial a Lei de Cotas, implementada em 2012, que facilita o acesso dessas pessoas às universidades públicas.

Ainda assim, há pessoas que acreditam que os alunos com cota são menos esforçados e pouco dedicados, no entanto, um levantamento da UERJ de 2003, mostra que 49% dos cotistas aprovaram em todas as disciplinas no primeiro semestres, contra 47% pelo sistema regular. Ademais, o sistema de cotas apresenta certas irregularidades em relação aos alunos que se encaixam ou não. Algumas faculdades optam por uma banca avaliar a partir de uma foto, outras por auto-declaração. A problemática gira em torno das pessoas que burlam o sistema e se passam por negros, além da própria banca cometer erros, como ocorreu na Universidade de Brasília, com irmãos gêmeos idênticos em que um passou e o outro não.

Logo, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Educação aliado as reitorias da universidade, devem propor a ingressão no sistema de cotas a partir do levantamento de fenótipos de cada candidato, avaliando não só características físicas, como também os membros da família. Também é necessário que o Ministério da Economia junto ao governo federal, façam um alto investimento na educação básica, só assim os participantes sairiam de um mesmo ponto de partida e o sistema de cotas já não seria necessário.