Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 26/11/2020
Reflexos históricos, que perpetuaram por longos anos desde a abolição da escravatura, configuram um cenário de desigualdade no acesso ao ensino superior. Em vista disso, tornou-se impreterível como medida de correção de tal injustiça histórica, a inclusão de cotas a fim de garantir o acesso desse povo tão desmerecidamente vilipendiado.
Assim, o sistema de cotas em universidades gera grande polarização de opiniões, que divergem quanto a sua eficácia, além de insuflar preconceitos dentro das universidades. Nessa perspectiva, a existência do preconceito, que descredita a capacidade daqueles que ingressam por meio de cotas, na alegação de que esses prejudicariam o bom desenvolvimento das aulas devido a suposta incapacidade intelectual. Além disso, na crença desse demérito, nutrem um sentimento de “injustiça reversa” embasando-se numa discrepante nota de corte para cotistas. Dessa maneira, lamentavelmente a falta de informação fatalmente permeia entre os brasileiros, que alimentam um preconceito danoso e infundado.
Além disso, ser o ultimo país a abolir a escravatura no mundo, com agravante de que, em 150 anos, a ausência de políticas públicas que garantam o direito de Isonomia (igualdade civil nos moldes da constituição federal) trás consequências. Embora, as ultimas eleições presidenciais no país, expôs posicionamentos em defesa da meritocracia no Brasil, inferindo que o sistema de cotas seria um agravante para segregação no país, haja vista que “privilegia” grupos minoritários. Assim, na inegável polarização percebida das ultimas eleições presidenciais denotam o antagônico diálogo de brasileiros que defendem o ilusório, tendo em conta a gritante desigualdade social existente no país, a meritocracia torna-se hipocrisia.
Portanto, cabe ao governo, em parcerias com escolas publicas ou privadas, a construção de uma cultura de inclusão, por meio de debates que sejam canais de acesso a informações da história negra e do Brasil pautadas nos porquês da perpetuação segregacionista, bem como demonstrar as cotas como mecanismo de combate a desigualdade.