Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 21/11/2020

O sociólogo Karl Marx já dizia em seus trabalhos que a sociedade possui uma classe dominante e outra dominada. Na qual o intelecto é produzido pelos dominantes e seus pontos de vista difundidos entre os dominados, que muitas vezes também passam a defender esses ideais que não os representam. Nesse contexto, é importante refletir o porquê do provo brasileiro acreditar que cotas para negros, por exemplo, possa ser um retrocesso. Visto que, a abolição da escravatura do Brasil, foi feita de forma tardia e irresponsável, pois os negros, maioria da população brasileira, não receberam nenhum suporte para se desenvolverem na sociedade.

De fato, a vagarosa libertação dos cativos do Brasil e a falta de políticas para a inserção dessas pessoas na sociedade, contribuíram muito para a marginalização desse grupo. Pois, de acordo com a historiadora Alba Cristina, não é à toa que hoje as favelas dos morros cariocas, por exemplo, estejam compostas majoritariamente por negros. Além do que, não é de se estranhar que os afrodescendentes também ocupem a  maioria dos cargos de auxiliar de serviços gerais e emprego doméstico, ou seja, trabalhos basais da pirâmide da sociedade, como consequência da falta de apoio governamental após à escravidão.

Por outro lado, as cotas raciais se apresentam como uma das primeiras iniciativas governamentais para uma reparação dessa dívida histórica com os negros. Nesse âmbito, foi visto que, após a implementação das cotas houve um aumento de 39% das pessoas negras nas universidades, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Isso mostra a inclusão e a possibilidade desses indivíduos ocuparem cargos jamais conquistados por seus antepassados. No entanto, o racismo estrutural criado e difundido pela sociedade branca dominante, induz a população a pensar que as cotas são exageros e privilégios desnecessários a indivíduos que nunca foram assistidos pela república brasileira.

Dessa forma, é necessário garantir que os negros continuem sendo favorecidos por políticas públicas que visem inclui-los na sociedade. Portanto, mais uma lei integrativa como cotas para pessoas negras em concursos públicos realizados em qualquer município brasileiro deve ser aprovada no Congresso Nacional e Senado, seguidas pela sanção do Presidente da República. Desse modo, os afrodescendentes além de serem assistidos no ingresso da universidade, também receberão auxílio para ocupar cargos no mercado de trabalho.