Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 26/11/2020

É notório que na obra “Utopia”, escrita pelo filósofo Thomas More, é apresentada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social tem por característica a falta de conflitos e situações problemáticas. Conquanto, é visível, na presente realidade, a ocorrência do oposto daquilo pregado por More, haja vista a desigualdade social e a falta de educação trazerem consequências, as quais dificultam as estratégias do autor. Tal cenário antagônico é reflexo tanto da ineficácia governamental, quanto da falta de democratização do ensino. Diante disso, torna-se fundamental a argumentação a respeito das cotas nas universidades serem uma forma de inclusão ou retrocesso, a fim do íntegro funcionamento da sociedade.

Observa-se, em primeira instância, que o fato de tantos indivíduos recorrerem às cotas, para conseguirem se inserir em uma faculdade, é resultado da pouca  atuação das esferas governamentais, em relação à criação de mecanismos capazes nivelar o nível educacional de todos os estudantes. De acordo com o pensador Thomas Hobbes, o Estado tem o dever de garantir o bem-estar da sociedade, porém, essa prática não ocorre no território nacional. Em decorrência da negligência das autoridades, grande parte da população é bastante desigual(financeiramente), gerando, dessa forma, a necessidade de muitos alunos recorrerem a um processo seletivo universitário diferenciado. Assim sendo, faz-se necessário a reformulação dessa medida estatal urgentemente.

Outrossim, é válido destacar o insuficiente investimento na educação básica como desenvolvedor do problema. Seguindo essa linha raciocinológica, pode-se afirmar que os jovens e adolescentes negros ou indígenas, com baixa renda familiar e que terminaram o ensino médio em instituições públicas, necessitam ingressar em universidades(com apoio das cotas), pois, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 11 milhões de jovens são impossibilitados de frequentar o ambiente escolar. De acordo com Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo, por isso, é preciso levar em conta o dever de inclusão de todos e todas.

Portanto, com base nos fatos e argumentos expostos, tem-se as cotas como uma medida de universalização do direito ao ensino(garantido na Declaração dos Direitos Humanos). Para que se possa melhorar essa estratégia, é preciso que o Tribunal de Contas da União direcione verba, que por meio do Ministério da Educação, será revertida na construção de escolas, institutos e universidades públicas em locais onde o investimento nessa área é baixo. Com isso, a “Utopia” de More será alcançada, tendo em vista que todos terão igualdade de informação, prazer em desfrutar da educação e a esperança da construção de um país melhor.