Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 16/11/2020
Em 1963, Martin Luther King, discursou sobre seu sonho de ver uma sociedade em que todos seriam iguais sem distinção de cor e raça. Segundo o ativista político: “Devemos encarar a trágica realidade de que o negro ainda não é livre, pois sua vida está dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação.” Nos dias atuais, esse discurso mostra-se compatível ao quadro social brasileiro - desigual, preconceituoso e segregador - trazendo à tona temas polêmicos como as cotas nas universidades.
Em um primeiro plano, deve-se entender que o país apresenta uma grande desigualdade social. Isso se evidencia na carência de cidadãos negros, índios ou deficientes nos cargos mais disputados. Cadê a miscigenação brasileira no senado, na medicina ou judiciário? É uma ocorrência rara. Aliás, em mais de um século de república, o Supremo Tribunal Federal (STF) só foi ter seu primeiro presidente negro em 2012. Essa conjuntura mostra a indispensabilidade das cotas como política emergencial, visto que elas têm a finalidade de proteger e integrar aqueles que -mesmo em uma democracia- têm uma série de prejuízos no dia a dia, desde dificuldades financeiras até barreiras preconceituosas.
Em consonância, politicas de incentivo e oportunidades foram criadas para banir os prejuízos deixados ao logo da história, visando o futuro do país a respeito da inclusão, a Lei nº 12.711 sancionada em 2012, garante 50% das vagas em universidade públicas para alunos pretos, pardos e indígenas; vagas para alunos de escolas públicas e com renda per capita de um salário mínimo e meio por morador da residência. As cotas já permitiram a formação de diversos alunos desprivilegiados, e promove a inclusão de milhares de alunos no ensino publico todos os anos, quebrando paradigmas através de pessoas de diferentes condições em cursos concorridos como medicina, direito e engenharia.
Diante desse grave cenário de desigualdade, é necessário entender que o sistema de cotas é extremamente importante para promover a inclusão tanto social quanto educacional. Portanto, para que seja possível a efetivação desse projeto de inclusão, é de suma importância que o setor legislativo em conjunto com o ministério da educação, crie leis para que o sistema de cotas seja implantado em todas as universidades. Análogo a isso, a mídia deverá divulgar todos os benefícios que a adoção do sistema de cotas, irá promover para o país, mostrando que esse é um caminho para reduzir a desigualdade. Dessa forma, a população poderá ver o quão importante e necessário, são as cotas.