Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 01/12/2020
“Até que os direitos sejam igualmente garantidos a todos, haverá guerra”. Na obra musical “war”, do artista jamaicano Bob Marley, cria-se a ideia da prevalência de conflitos enquanto houver desigualdades, crendo que só haverá paz em uma sociedade justa. Seguindo essa análise, a questão das cotas nas universidades como inclusão ou retrocesso, segue um contexto semelhante ao da obra, em que a guerra contra o racismo, bem como a desigualdade social, gera um ambiente marcado pela injustiça, devendo ser combatido.
A princípio, é fulcral pontuar que o racismo é um grande fator para a discussão da questão das cotas. Devendo-se ressaltar o Apartheid, regime segregacionista de cunho racial ocorrido na África do Sul em 1948, que expôs com veemência o racismo estrutural do sistema. Segundo o pensador Thomas Hobbes, “o Estado deve condicionar o bem-estar social.” Contudo, no Brasil tal realidade não se faz presente, dessa forma, atualmente segundo o portal de notícias G1, cerca de 75% dos assassinatos no país são de negros, gerando, assim, uma sociedade oprimida, e a manutenção do poder das classes dominantes, como afirma a socióloga Nathalia Ziê. Portanto, devem-se tomar medidas para tal imbróglio.
Ademais, ressalta-se que a disparidade social no país é fruto de um mal planejamento político, citando o Período Regencial, em que a disputa pelo poder entre liberais e conservadores acabou dividindo a nação, excluindo os mais pobres, contribuindo para estagnação social desses grupos, desse modo, a luta contra a desigualdade social tem raízes históricas. Segundo o portal de notícias G1, cerca de 13,5 milhões de brasileiros vivem na extrema pobreza, expondo as correntes da indiferença sob o ideal de justiça. Dessarte, a obra de Marley fica notória sob a atualidade, mostrando que a “guerra” continua.
Dessa maneira, a questão das cotas nas universidades como inclusão ou retrocesso deve ser discutida. Então, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, junto ao Ministério da Educação, criar e aprimorar leis para facilitar a entrada de estudantes de grupos minoritários, seja por meio de cotas ou processos seletivos específicos, de modo que haja uma parceria com banqueiros, para criar fundos de verbas para a luta contra o racismo, por meio de campanhas publicitárias do tipo “slice of life”, que busca com exemplos do cotidiano envolver o público alvo, a fim de buscar a consciência e o respeito social e, assim, termos uma sociedade mais justa e pondo fim a essa “guerra”.