Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 16/11/2020
No século XVIII, instaurou-se a Declaração Universal dos Direitos Humanos, com o objetivo de organizar a sociedade de maneira igualitária. No entanto, o hodierno brasileiro foge desse legado garantidor de bem-estar refletido na Constituição Federal de 1988, posto que as cotas raciais ainda dispõem de debates contra a sua existência. Assim, é válido discutir o baixo nível de informação acerca da importância desse mecanismo, bem como o negativo legado histórico da população preta no país.
De início, é lícito pontuar a deficiência informacional das instituições de ensino acerca do sistema de cotas. Segundo o sociólogo Emile Durkheim, a escola é o mecanismo secundário de socialização. Nesse sentido, observa-se uma falha ao se tratar da disseminação da importância das cotas raciais, haja vista que as instituições educacionais não disseminam aos alunos a imperiosidade desse recurso e a desigualdade existente no território nacional. Dessa forma, maleficamente, os indivíduos tendem a invisibilizar essas questões, ou até mesmo, menosprezar a sua utilidade social como forma de equidade.
Ademais, é preciso discutir o legado histórico dos povos brasileiros. Sobre isso, no período da colonização brasileira, em 1500, foi impregnada a ideia de superioridade étnicas, como a europeia em detrimento da indígena. Por essa razão, tanto os nativos quanto a população preta, foram excluídas de uma série de oportunidades sociais, a exemplo da participação nos âmbitos da educação, o que se presencia na realidade do Brasil com a desigualdade nos setores institucionais - escola e trabalho. Logo, é indiscutível que tais direitos afirmados constitucionalmente sejam reparados na contemporaneidade pelo Estado nacional.
Portanto, evidencia-se que a questão das cotas enfrenta barreiras. Nesse viés, cabe ao Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, viabilizar palestras nas escolas sobre a importância das cotas raciais e o legado histórico de formação dos povos da nação, a fim de atenuar a problemática de desinformação a respeito desse assunto e subtrair o sentimento de superioridade ainda recorrente. Adicionalmente, os veículos midiáticos devem transmitir tais ações, por intermédio de rádios e redes sociais, já que possuem maior abrangência populacional. Feito isso, a sociedade se tornará mais igualitária conforme afirma a Declaração Universal dos Direitos Humanos.