Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 16/11/2020

No romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, o quixotesco personagem, que dá título ao livro, cria algumas fantasias em relação à pátria, o que o conduz ao seu declínio após ser traído por seus ideias. Fora das páginas literárias, o sistema falho de cotas no Brasil, provavelmente, contribuiria para potencializar as decepções de Quaresma, seja pela deficiência do ensino público, seja pela omissão estatal. Assim, faz-se necessário analisar os impactos de tal temática no país.

É importante ressaltar, em um primeiro plano, a precariedade da educação pública brasileira como impulsionadora da problemática. Embora a Constituição Federal, promulgada no Governo José Sarney, em 1988, tenha inovado na ampliação dos direitos sociais, como da cidadania e da educação, os resultados ainda não são satisfatórios. Nesse sentido, evidencia-se que a vulnerabilidade do ensino público de educação no país, não é sanada pelo sistema de cotas nas universidades pelo Brasil, uma vez que a população mais pobre do país tem  menores chance de ingressar em instituições públicas de ensino. Dessa forma, a disparidade entre classes no meio coletivo caminha de maneira contrária com a inclusão social dessa parcela na sociedade, que devido a sua deficiência educacional não consegue concorrer os primeiros lugares nas faculdades federais.

Ademais, cabe pontuar a negligência governamental entre as causas do sistema falho de cotas no estado brasileiro. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio dela, a justiça e o equilíbrio sejam alcançados na sociedade. Contudo, hodiernamente, esse panorama é utópico, visto que as instituições federais do país são ocupadas majoritariamente por pessoas ricas e brancas, de acordo com o jornal “o Globo” Desse modo, o desamparo estatal em promover mudanças na atual situação do sistema de ingresso nas universidades públicas, contribui de maneira substancial para o aumento da desigualdade entre classes no país. Nesse viés, é preciso uma reformulação legislativa para promover a minimização do impasse e diminuir a exclusão social.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas exequíveis para maximizar a eficiência do sistema de cotas no Brasil. Logo, é preciso que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, dissemine recursos para as escolas que se encontram em estado de vulnerabilidade no país, com intuito de qualificar o ensino público, a fim de promover a diminuição da disparidade entre classes no meio coletivo, proporcionando, dessa maneira, maiores chances para que a população mais desfavorecida socialmente consiga ingressar em universidades federais espelhadas pelo estado brasileiro e levando o país ao modelo social idealizado por Quaresma.