Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 29/11/2020
A série “Todo Mundo Odeia o Chris” conta a história de Chris, um jovem negro que estuda no colégio Corleone, localizado num bairro branco, por oferecer melhor educação. Nesse enredo, Chris passa por diversos episódios de violência física e mental porque é o único garota negro da escola. É possível, nesse sentido, notar semelhanças com a realidade, dentre essas, pessoas frequentam melhores ambientes educacionais e possuem maior grau de escolaridade comparadas à pessoas não brancas. Por isso, é necessário que existam cotas na universidades brasileiras, visando incluir a população, que passou por um processo histórico de marginalização, numa sociedade que ainda acredita na democracia racial.
Em primeiro lugar, observa-se que o Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão negra, devido a pressões externas que afetariam o comércio internacional. Em virtude disso, o processo de inclusão da população afrodescendente liberta não aconteceu da maneira correta, os negros se tornaram cidadãos livres, mas ainda eram escravizados pelo sistema, visto que não possuíam acesso aos seus direitos básicos. Por esse lado, essa população não possuía acesso à educação, sendo a maioria da população negra do início do século XX analfabeta. Embora o tempo tenha passado, nota-se que houve o prevalecimento desse fenômeno no século XXI: a taxa de analfabetismo da população negra é o triplo da população branca, de acordo com dados do IBGE.
Ademais, o polímata Gilberto Freyre traz em sua obra “Casa Grande e Senzala” a teoria de democracia racial. Essa teoria enfatiza que a miscigenação é benigna para a formação da identidade brasileira, há igualdade entre as raças no país; aliás, esse modo de pensar foi utilizada pelas instituições sociais brasileiras como relevante, sistematizado e inserido no corpo social brasileiro, fazendo com que o racismo velado prevaleça. Devido a institucionalização do racismo velado no país, não há o questionamento sobre o baixo número de pessoas negras, indígenas a ocuparem ambientes acadêmicos, cargos públicos bem remunerados, pois, ainda, existe a crença de que esses grupos ocupam o mesmo espaço na pirâmide social.
Em síntese, é possível afirmar que que as cotas sociais não são um retrocesso, mas sim um avanço no processo de incluir os grupos historicamente excluídos. Por isso, é preciso que medidas sejam tomadas para consolidar a política de cotas no país. Um medida a ser tomada seria a criação de cotas raciais nas universidades públicas para negros, pardos e indígenas proporcionais à porcentagem dessa população no Brasil, que são a maioria da composição étnica, com a ajuda do Ministério da Educação em conjunto com o IBGE; isso possibilitaria que grupos étnicos que, ainda, são minoria a ocuparem mais espaço nas universidades públicas, terem mais chances de conseguirem vagas e mudarem a atual realidade branca.