Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 23/11/2020

Espaço excludente e elitista, onde somente brancos e afortunados possuem o direito a educação, dessa forma se discorre a obra, “O Ateneu”, de Raul Pompéia, evidenciando os traços de um âmbito segregado e inoperante para aqueles que compõem a classe operária. Analogamente ao contexto do livro, observa-se a perpetuação de lugares inacessíveis para uma população carente e com isso vincula-se a petrificação da desigualdade social, sendo as cotas uma demonstração de resistência quanto a essa atmosfera discrepante. Logo, é viável reverberar sobre o impacto das ações afirmativas e como elas corroboram para esmiuçar os celeumas sociais.

Em primeira análise, é perceptível que há uma hegemonia vigente inerente na sociedade que, por sua vez, obscurece as chances de ascensão social das minorias. Diante disso, as cotas servem como um modo de afirmação da existência da iniquidade presente na comunidade, mas também, como uma busca interminável de abrandar o contexto desigual e ampliar o que, anteriormente, era inviável. Além disso, essa política pública é a representação de incontáveis reivindicações e lutas provindas do Movimento Negro e do Movimento Estudantil que procuram com veemência lapidar as relações e o ingresso nas universidades.

Ademais, vale salientar que as cotas possuem um efeito de desconstrução dos paradigmas elitistas que estão encadeados ao ingresso no mundo acadêmico. Vide, estabelecendo uma relação de cristalização da realidade, ou seja, dando voz aos que sofrem de maneira cotidiana a invisibilidade social e abrindo espaço para o reconhecimento de divergentes realidades. Em conformidade com o pensamento do argentino, Eduardo Galeano, é preciso conhecer a realidade para modificá-la. Portanto, é clarividente a suma relevância de tais políticas para uma busca de maximizar as relações sociais e ponderar sobre os, hiperbólicos, impasses presentes.

Inegavelmente, as cotas nas universidades simbolizam a democratização dos espaços e a inclusão, apresentando as mazelas pragmáticas na nação. Destarte, cabe a Ministério da Educação com a participação de sociólogos e estudantes das universidades, fomentar palestras e mobilizações em redes escolares e telecomunicativas para exprimir a proeminência das ações afirmativas, as manifestações feitas para conquista-las e como elas permitem a ampliação de um âmbito de coexistência e diversidade nos centros acadêmicos. Dessa forma, viabilizando um olhar crítico e sapiente sob esse movimento e potencializando o engajamento social e a compreensão.