Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 01/12/2020
Sísifo, segundo a mitologia grega, foi um mortal condenado pelos deuses a erguer uma rocha até o topo de uma montanha, porém a pedra sempre voltava a descer tornando seu trabalho inútil e incessante. Nesse sentido, a realidade de muitos brasileiros, principalmente a população negra e de baixa renda, assemelha-se com a do personagem, uma vez que apesar de todos os seus esforços muitas vezes continuam a ser negligenciados em diversos âmbitos sociais, como a educação. Sendo assim, a ineficiência de políticas públicas e a perpetuação do racismo estrutural são algumas das problemáticas para consolidar as cotas como forma de inclusão.
A princípio, o artigo 6º da Constituição Federal assegura o acesso à educação para todos os brasileiros, contudo esse direito mostra-se quase inalcançável para algumas pessoas. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apesar de 50,3% dos alunos de universidades públicas serem negros, a maioria desses estudantes fazem parte de cursos menos prestigiados, além do que a evasão universitária entre pretos e alunos vindos de escolas públicas é visivelmente maior se comparada à de pessoas brancas e de classes mais altas. Dessa forma, fica explícita a disparidade educacional entre grupo étnicos e sociais no Brasil tornando essencial a expansão da política de cotas, visto que essa é uma tentativa de reparação histórica e de promoção da equidade.
Não obstante, a abolição da escravatura, conquistada em 1888, não promoveu o fim do racismo dentro das estruturas sociais. Nesse contexto, de acordo com o médico afro-brasileiro Fred Nicácio, esse problema perpetua-se nos dias atuais, haja visto que ainda é possível observar o descrédito e desrespeito da população ao ver uma pessoa negra ocupando um cargo de alto escalão. Segundo ele, isso ocorre pois ainda não existe uma inserção adequada da parcela preta e pobre nas universidades e consequentemente, no mercado de trabalho. Dessa maneira, há a urgência em ampliar o acesso ao ensino básico e superior para esses grupos, com o intuito de incluir essa parcela da população historicamente marginalizada.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Assim, o Governo Federal deve ampliar o número de vagas para cotas nas instituições públicas e incentivar por meio de benefícios fiscais as empresas privadas a fazerem o mesmo, como foi o caso da loja Magazine Luiza, a fim de conceder de forma mais igualitária o acesso à educação, mais postos de trabalho e consequentemente reduzir a desigualdade social para com esses grupos. Ademais, as escolas devem fazer uma abordagem mais esclarecedora sobre o fim da escravidão por meio de aulas lúdicas, visando conscientizar cada vez mais cedo sobre a necessidade de se combater o racismo.