Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 20/11/2020

A Lei Áurea, sancionada em 1888, caracteriza-se por declarar o fim da escravidão no Brasil. No entanto, com o fim desse período não houve políticas públicas voltadas para esses cidadãos que foram escravizados, logo fazendo com que esses se instalassem em moradias precárias, e também não conseguissem se inserir na sociedade, devido ao preconceito vigente. Dessa maneira, essa marginalização perpetua até os adias atuais, visto que a população negra e pobre continua não integrando totalmente todos os espaços. Sendo assim, diante desse cenário, as cotas nas universidades, sejam essas raciais ou sociais, são um meio de inclusão desses sujeitos.

A priori, de acordo com o Artigo 5° da Constituição Federal, todos os indivíduos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, sendo garantia desses o direito à liberdade e à igualdade. Todavia, no que refere-se a qualidade de ensino ofertado, tal fato não se aplica, já que enquanto existem estudantes que recebem um ensino de excelência, como o ensino profissionalizante, outros frequentam instituições onde faltam o básico, como professores capacitados. Portanto, não sendo justo esses alunos competirem pelas mesmas vagas nas universidades, assim, sendo as cotas um meio de inclusão para os indivíduos mais desfavorecidos.

Por conseguinte, o documentário Pro Dia Nascer Feliz, disponível na plataforma Youtube, aborda sobre a realidade vivenciada pelos estudantes de escolas públicas. Dessa maneira, no vídeo é evidenciado o modo como esses não possuem um ensino de qualidade, dado que professores desinteressados, falta de merenda e até banheiros, são realidades de muitas dessas instituições. Nesse sentido, esses fatos ratificam a necessidade das cotas nas universidades, já que um aluno formado sob essas condições dificilmente conseguirá atingir o mesmo nível que o outro que teve acesso a rede privada, por exemplo.

Em virtude dos fatos mencionados a respeito da temática apresentada, fazem-se necessárias medidas para que essa situação seja resolvida. Posto isso, é preciso que as universidades continuem ofertando a possibilidade de utilizar as cotas, para que assim aqueles que foram prejudicadas durante sua formação, que não obtiveram um ensino privilegiado, consigam ocupar esses espaços. Ademais, é essencial que o Poder Executivo invista na educação, assim, destinando verbas voltadas para uma boa infraestrutura e também para contração de profissionais de excelência. Dessarte, com um ensino equilibrado e de qualidade, as cotas poderão um dia não ser mais necessárias.