Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 21/11/2020

O segregacionismo social, cultural e econômico se consolidou por meio da imposição autoritária das potências europeias mediante o contexto mercantilista das Grandes Navegações durante o século XVI, subordinando o índio e o negro à escravidão. Dessa forma, infelizmente, as consequências de tal processo atribuiu ao desenvolvimento civilizatório da humanidade a inserção do preconceito racial, limitando, portanto, a adesão e ascensão do negro na sociedade. Consoante a tal conjectura, a introdução de políticas afirmativas, como as cotas universitárias, por exemplo, se expressa de modo necessário e iminente á intempérie, uma vez que o acesso as universidades influenciam decisivamente na desintegração da desigualdade social, e na inserção do povo negro em quaisquer esferas culturais.

Convém ressaltar, a princípio, que as políticas de inclusão racial se mostraram efetivas e coerentes ao panorama desejado - isto é, como engrenagem motriz da desarticulação obsoleta em que foi programada no passado para justificar a hierarquização geográfica populacional. Tal advento pode ser comprovado por meio de estudos realizados na USP - Universidade Federal de São Paulo - em que se verifica a atuação de negros em ambientes predominantemente elitistas, como em Universidades federais, empregos com alto valor assalariados, cargos importantes na política e nas mídias digitais entre os anos de 2003 e 2010, como consequência inerentes das políticas afirmativas, em destaque, para as cotas sociais. Isso ocorre devido ao caráter transformador da educação que capacita o individuo a conhecer seus direitos e deveres constitucionais, tornando-o crítico e autônomo, possibilitando, assim, sua aspiração sociocultural.

Ademais, seria um erro, porém, acreditar que as funcionalidades das cotas raciais sozinhas são suficientes para supriram as impetuosidades do capitalismo vigente que materializa as desigualdades como realidade atemporal. Sob tal ótica, o sociólogo Emile Durkheim, associa a integração social como um organismo vivo, por ser assim como este composta por partes que interagem entre si, concretizando a importância da coletividade populacional para descontruir qualquer problema cultural. No entanto, ao correlacionar sua teoria com o atual cenário brasileiro, evidencia-se uma incoerência, haja vista que o governo e o corpo social ainda se comporta com indiferente nas questões raciais.

Depreende-se, portanto, com a necessidade do Estado em assumir o papel legislador das políticas raciais, reafirmando sua importância a garantindo sua eficácia. Para que essa ação seja efetivada, é fulcral a contribuição dos órgãos educacionais do país para a fiscalização das cotas nas universidades, certificando-se, por meio de um sistema tecnológico a remuneração das vagas ofertadas aos negros, compartilhando os dados com a população. Só assim o preconceito segregacionista será erradicado.