Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 18/11/2020
De acordo com a lei da Inércia do físico Isaac Newton, um corpo tende a permanecer em repouso até que uma força externa atue sobre ele, colocando-o em movimento. Sendo assim, analogamente, percebe-se que a educação brasileira é como um corpo imóvel, o qual é dotado de exclusão e discriminação. Dessa forma, o sistema de cotas nas universidades funciona como a força suficiente para mudar esse percurso. Assim, é importante analisar a causa e a consequência do cenário atual: a defasagem do ensino público e a inclusão das minorias.
Primeiramente, pode-se afirmar que a precariedade do ensino público é um retrocesso. Conforme a teoria do filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o bem-estar social, o que não configura a realidade brasileira. Devido à falta de investimentos na educação, os alunos de escolas públicas padecem com a ausência de professores e de infraestrutura escolar, tornando difícil a aprendizagem e perpetuando a desigualdade na competição com alunos de instituições particulares por vagas nas universidades. Prova disso, é que segundo dados do IBGE, apenas 36% dos alunos de colégios públicos ingressam na faculdade, enquanto as particulares aprovam cerca de 79% dos estudantes.
Outrossim, é válido ressaltar as consequências do implemento das cotas. Na época do Brasil Império, em 1837, foi sancionada uma lei que proibia escravos e pessoas doentes de frequentar as escolas. A partir disso, entende-se que o advento das cotas é a reparação de uma dívida histórica, visto que em razão dos preconceitos existentes desde o início da civilização canarinha, pessoas negras, pobres e deficientes ainda encontram dificuldades acerca do acesso à educação. Por conseguinte, fica claro que o sistema de cotas é um meio de inclusão das minorias sociais, pois possibilita que elas alcancem o ensino superior e tenham uma maior inserção no mercado de trabalho, proporcionando sua ascensão social.
Infere-se, portanto, que a criação das cotas foi um grande avanço para a sociedade brasileira, mas ainda são necessárias mudanças na educação pública. Então, cabe ao MEC promover o aumento das chances das camadas mais baixas de ingressar nas universidades, através de investimentos nas instituições de ensino básico. Esses investimentos devem ser direcionados às melhorias nas condições de ensino das escolas públicas, como a oferta de mais professores e de cursos gratuitos para os vestibulares durante todo o ensino médio. Com isso, os alunos de escolas públicas terão sua qualidade de ensino otimizada e haverá a possibilidade de equipará-los com os estudantes das instituições privadas. Somente assim, as cotas serão uma reparação social e não apenas um preenchimento das lacunas deixadas pelo Estado.