Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 17/11/2020
Em sua canção: “Cota não é esmola”, a cantora Bia Ferreira esclarece o fato referente às reais razões da existência das cotas. No entanto, esse assunto em questão ainda é rodeado por questionamentos, entre eles, se essa política se trata de uma estratégia de inclusão ou retrocesso para as universidades. Nessa conjuntura é fundamental reconhecer a necessidade das cotas que não só auxiliam na luta contra a desigualdade, que perdura desde tempos coloniais, como também, garante o acesso ao ensino de qualidade aos alunos cotistas.
Em primeiro plano, é importante retomar que as cotas raciais buscam equiparar a desigualdade social que surgiu no país em tempos de escravidão. Isto é, com o início da colonização e a necessidade de explorar o território, muitos indivíduos foram subordinados à trabalhos escravos, tornando-se livres séculos depois. Porém, embora a carta de alforria libertasse o escravizado, a ausência de auxílio e amparo o marginalizou, marcando-o pela desigualdade social. Nesse sentido, cabe destacar que enquanto não forem empregadas medidas que garantam a igualdade -negada no Brasil colônia- as populações marginalizadas continuarão revivendo com o produto de um país que não lidou com o fim da escravidão.
Em segundo plano é necessário descaracterizar um dos estigmas que fortalece discursos contra o emprego das cotas: a desqualificação do ensino. Nessa perspectiva, analogamente ao filme “A fantástica fábrica de chocolate”, quando o protagonista, representado pelo ator Freddie Highmore, teve a oportunidade de conhecer a fábrica de Willy Wonka, ele não descaracterizou o sentido da visita, mas sim, enriqueceu o grupo com seus ensinamentos e experiências e, por fim, teve a chance de estabelecer melhores condições de vida a ele e seus familiares. Assim sendo, quando o cotista tem acesso ao ensino de qualidade, é dado a ele a oportunidade de acender por meio da educação, em contrapartida, depois de formado, ele é capaz de ofertar serviços a sociedade.
Fica evidente, portanto, a importância da inclusão promovida pelas cotas nas universidades. Desse modo, é indispensável que as instituições, tanto federais como particulares, estabeleçam políticas públicas, por meio das cotas raciais e sociais, bem como, bolsas estudantis, para que assim, o acesso ao ensino seja assegurado para aqueles que sofreram com a historiografia e, dessa forma, consigam acender socialmente por meio da educação.