Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 01/12/2020

No poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, retrata em seus versos que para alcançar um objetivo há sempre uma pedra no meio do caminho. Fora dos versos, pode-se encarar as desigualdades existentes no país como obstáculos para milhares de indivíduos alcançarem uma vaga em uma universidade pública. No entanto, o estabelecimento das cotas é o meio pelos quais as diferenças étnicas e sociais podem ser suprimidas garantindo maior inclusão e desenvolvendo a equidade de direitos. Assim, para que as cotas se tornem realmente inclusivas é necessário combater a desigualdade social existente e ao mesmo tempo garantir que seja uma forma de combate as mazelas do país.

De acordo com Habermas, incluir não é só trazer para perto mas também respeitar e crescer junto com o outro. A frase do filósofo alemão mostra que, enquanto o Estado não garantir direitos iguais na educação para quem se enquadra nas cotas, ainda estará sofrendo práticas de desigualdade, visto que, não basta aproximar diferentes realidades sociais sem antes estabelecer e conscientizar a todos sobre a necessidade de existirem tal medida inclusiva. Desse modo, torna-se possível o estabelecimento de uma sociedade mais inclusiva e garantidora da equidade, ou seja, tratando cada indivíduo tendo como base a sua diferente realidade.

Concomitantemente a isso, pode-se analisar as cotas como uma forma de reiterar o que o professor e filósofo Leandro Karnal destaca em seu livro “Todos contra todos”, a ruptura dos guetos sociais, ou seja, os locais e paradigmas onde os indivíduos se sentem socialmente aceitos e confortáveis. Nesse sentido, as cotas nas universidades, ao incluírem indivíduos de diferentes “guetos”, provocam um choque cultural e uma troca de experiências, caminhando, dessa forma, para uma sociedade mais empática que saiba relacionar as diferentes realidades sociais e criar soluções para as diferentes mazelas enfrentadas pelo país.

Em suma, é possível perceber que existe a necessidade do Ministério da Educação - em parceria com as universidades públicas -, promoverem palestras em todos os estados, por meio de aulas de cidadania, ratificando o caráter isonômico das cotas, a fim de garantir a equidade e amenizar mazelas sociais, dando pleno acesso ao sistema educacional de qualidade e, aperfeiçoando o sistemas de cotas sociais e raciais. Em outras palavras, é preciso tirar as pedras do caminho para alcançar o rumo da igualdade social nos serviços fundamentais básicos, principalmente na educação, que é um direito a todos cidadãos.