Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 01/12/2020
A educação, desde os primórdios, fora restrita a pequenos grupos privilegiados. A exemplo, na Grécia Antiga, só os filhos dos grandes detentores de terra eram alfabetizados, ao passo que na Europa Medieval, apenas alguns nobres e sacerdotes estudavam. Assim também, durante a Idade Moderna, somente a elite era letrada nas Américas. Hodiernamente, ainda perduram os relatos de situações desse gênero, como o de Malala, baleada por ser mulher e tentar ir à escola. No entanto, no Brasil, essa elitização da educação é mascarada com as frágeis instituições de ensino público, as quais permitem que grande parte da população tenha a alfabetização negligenciada e o futuro desacreditado.
A princípio, é interessante abordar uma filosofia que muito marcou a mentalidade dos indivíduos do século XIX e XX: o determinismo racial. A partir desse conceito, compreendeu-se que africanos e seus descendentes pertenciam a uma raça inferior, incapaz de pensar como as demais etnias. Tal contexto é bem expresso na obra naturalista de Azevedo, “O Cortiço”, na qual a personagem Bertoleza aceita sua condição inferior por não ser branca. Apesar da Constituição de 1988 garantir que todos são iguais, independente de cor e raça, ainda hoje, é possível ver essa ideologia materializada na sociedade, pois negligenciam medidas de inclusão desde o abolicionismo em 1888, tornando os afrodescendentes periféricos e justificando essa situação com base no ideal neocolonial.
Outrossim, em seu conto “Curso Superior”, Marcelino Freire abrange os medos e receios de um homem negro e periférico ao ingressar em uma universidade. Por via desse, criticou o porquê de tal indivíduo hesitar em avançar, expondo que, inconscientemente, pessoas como ele temem não serem capazes de viver o êxito intelectual e profissional, como ditou o determinismo do século XIX. Diante disso, pode-se concluir que mesmo após o ingresso às instituições de ensino superior, essa parcela da população sente-se oprimida e desafiada pelos sistemas que regem a sociedade. Tal sistema fundamentado em uma filosofia arcaica e preconceituosa que deve ser superada.
Portanto, torna-se vital a aplicação de medidas de inclusão social e de fortalecimento educacional no país. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação manter o sistema de cotas nas universidades, por meio dos programas já funcionais, procurando manter a porcentagem de cotistas proporcional à quantidade de estudantes negros e periféricos, baseando-se em dados de pesquisas oficiais. Ademais, esse ministério deve designar bons profissionais, selecionados por meio de concursos específicos, para o ensino fundamental e intermediário em instituições públicas de áreas carentes. Ambos os planos terão o papel de combater a analfabetismo e abrir caminhos promissores para todo e qualquer indivíduo por intermédio da educação, pois, assim a de se encontrar uma sociedade emancipada.