Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 18/11/2020
Inclusão social por lei
O sistema de cotas nas universidades brasileiras trouxe um novo desafio na educação: receber novos alunos provenientes de escolas de ensino médio extremamente diferentes e transformá-los em profissionais igualmente qualificados e manter o seu prestígio acadêmico dentro do país.
Inevitavelmente, a lei de cotas incitou questionamentos dentro da educação brasileira que ultrapassa a problemática do educar. Trata-se de um novo modelo de inclusão social obrigatório, que há séculos precisa ser corrigido, uma vez que o modo de colonização e escravidão no território brasileiro trouxe uma injustiça social segregando os próprios brasileiros, negando os seus direitos enquanto cidadãos livres e forçando-os à marginalização social.
Atualmente, as cotas tem favorecido a entrada do jovem de baixa renda e/ou de raça negra, parda ou indígena, que estudou em escola pública durante o ensino médio. A estes foram designadas 50% das vagas em universidades públicas para terem a oportunidade que antes era ínfima através da meritocracia e hoje o olhar é como uma brisa de esperança para continuar os estudos e ter uma melhor chance ao ingressar no mercado de trabalho, como nunca houve antes para um negro ou pobre na história desse país.
A educação no Brasil hoje é discrepante e inescrupulosa. A meritocracia evidencia a desigualdade social em todo país. O ensino público tem sido tratado com descaso e quem sofre as piores consequências são os jovens que não tem dinheiro para financiar seus estudos em uma universidade particular, tampouco conseguir concorrer uma vaga na universidade pública com um aluno de ensino privado, no qual teve um melhor preparo. Uma estratégia seria vincular o Ministério da Educação e as universidades para uma reforma em seus processos, envolver os seus professores de ensino fundamental e médio que tem um papel tão importante como o de preparar os jovens para o futuro e conduzir o país ao progresso e desenvolvimento. Uma outra tática seria a renovação de provas como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) que provam que o aluno da escola pública não teve o mesmo acesso à educação que um estudante do ensino privado, substituindo por avaliações de desempenho ao longo da vida escolar, no qual é justo, pois o julgamento está na capacidade de aprender e no seu empenho e não em apenas no maior número de acertos em uma prova.
Certamente, uma nação que utiliza-se de políticas que incluem os seus de forma igualitária, dando oportunidades iguais de ensino e pesquisa, sendo conscientes que diversidade racial é uma vantagem que merece ser exaltada.