Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 19/11/2020

O racismo no Brasil é um legado da colonização portuguesa. Por terem uma visão de superioridade aos índios que já residiam nas terras brasileiras, os portugueses os transformaram em escravos, trazendo essa imagem de “raça superior”. Hoje, a sociedade têm quebrado esse tabu, criando maneiras de restituir os direitos dos negros,como por exemplo, as cotas raciais,com intuito de facilitar a entrada desses grupos étnicos em universidades. Por outro lado, essas regalias trazem uma imagem de que tais etnias não são capazes de conseguir uma vaga na faculdade por seus próprios méritos, além de colocar em risco a qualidade de pesquisa acadêmica e o histórico de notas das instituições de nível superior, já que alguns alunos menos preparados garantem suas entradas nas melhores academias.

Constata-se, a princípio, que, segundo o Artigo 6° da Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Contudo, não há o pleno exercício da lei ao observar que alguns grupos certificam suas posições no ensino superior com menos esforço que os demais. Esse cenário trás de volta a visão europeia de etnocentrismo, visto que os negros e indígenas não têm a chance de mostrarem que são capazes por seus próprios esforços, perpetuando, assim uma realidade de desigualdade social.

Ressalta-se, ademais, que a facilitação racial vêm de um ponto de vista hipócrita, já que,para que haja a igualdade e inclusão, todos os estudantes, independente de sua etnia, devem ter os mesmo direitos, e suas vagas devem ser garantidas pelo seus esforços. Diante disso, podemos notar que as ações afirmativas raciais não cumpre seu papel, já que a capacidade dos acadêmicos  é medida de acordo com sua cor, racializando a sociedade.

Em vista dos argumentos,  medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Ministério da Justiça, juntamente com o Governo Federal devem desenvolver meios de inclusão em todas as raças, através de investimentos financeiros em escolas e faculdades públicas, promovendo bolsas de estudo que avaliem e valorizem os méritos dos alunos, e não a cor de sua pele, com o objetivo de substituir as cotas raciais e assim, abolir a visão etnocentrica da sociedade. Pois, como constatou o pensador Felipe Anezzi,“Nosso país será justo quando brancos, negros, indígenas e outras etnias viverem em condições de igualdade de direitos sociais”.